SHOW: Mariene de Castro – “Um Ser de Luz”

Contagiante e envolvente, “Um Ser de Luz” mostra que Mariene de Castro reina segura no terreiro de Clara Nunes

Mariene de Castro no palco do Sesc Belenzinho. 12.7.2013
Mariene de Castro no palco do Sesc Belenzinho. 12.7.2013

Dentre as diversas homenagens à Clara Nunes que pipocam desde o ano passado por conta dos 70 anos da grande sambista, a de maior destaque é, sem dúvidas, a de Mariene de Castro. Lançado em cd e dvd ao vivo numa iniciativa do Canal Brasil, o show-tributo já veio a São Paulo no mês de março, com sucesso. De volta à cidade, esse “Um Ser de Luz”, apresentado em duas noites no Sesc Belenzinho, não é o mesmo. E é bem melhor.

No texto que antecede a emocionante interpretação da canção que dá nome ao espetáculo – inspirada parceria entre Paulo César Pinheiro, João Nogueira e Mauro Duarte – Mariene de Castro reforça o conceito de  tributo à Clara Nunes sem meias palavras – agradecendo, se dizendo influenciada, homenageando. Mas o repertório, ainda que calcado nos maiores sucessos da sambista mineira, inclui também números do ótimo “Tabaroinha”, o mais recente trabalho de carreira da baiana, que já vinha sendo mostrado pelo país quando apareceu o convite do Canal Brasil para o projeto do dvd. E é aí que o jogo se transforma em clássico.

Inteligente na costura do (longo) roteiro de 28 canções, Mariene, em quase duas horas de apresentação, reina segura em cena. Mesmo que os adereços e  figurinos criados por Wilson Ranieri façam alusão direta à marcas de estilo da Clara Nunes, é a personalidade de Mariene de Castro que sobressai durante todo o show. Aberto com três sucessos da cantora mineira,  “Minha Missão” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), “Guerreira” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro) e “Menino Deus” (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) a noite que começa quente melhora ainda mais quando o repertório de Tabaroinha entra em cena dialogando sem sustos com os clássicos de Clara. Números como “A Pureza da Flor” (Arlindo Cruz, Dom e Babi), “Filha do Mar” (Flávia Wenceslau) ou “Amuleto da Sorte” (Nelson Rufino) não soam estranhos mesmo frente à obras primas como “Juízo Final” (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares) e “Coração Leviano” (Paulinho da Viola) que aparecem na primeira parte do espetáculo.

Linkando o samba de roda do recôncavo baiano aos sambas de morro e avenida do repertório da mineira mais carioca, a cantora consegue sair do perigoso ambiente do simples cover. Também o sincretismo religioso dos sambas de acento afro, com os arranjos da banda que privilegia o conjunto percussivo, é um aparente elo entre duas carreiras de gerações distantes e permeia todo o show em temas como “Ponto de Nanã”, composição de 2007 de Roque Ferreira e “Ogum” (Claudemir e Marquinhos PQD), samba do repertório de Zeca Pagodinho ou mesmo, mais sutil, em  “Ijexá” (Edil Pacheco), vêm com força envolvente.

Ao fim da noite, o bis com “Ê Baiana” (Fabricio Da Silva/Baianinho/Enio Santos Ribeiro/Miguel Pancracio), dona dos versos “Baiana boa / Gosta do samba / Gosta da roda / E diz que é bamba”, fez óbvia a contagiante sintonia de Mariene e Clara, de Minas, Rio e Bahia.

Belo show.

Veja algumas fotos. Aqui.

Mariene de Castro – Um Ser de Luz

Quando: 12.7.2013
Onde: São Paulo – Sesc Belenzinho
Review: * * * *

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