ENTREVISTA: João Pinheiro lança novo cd – “Julho”

João Pinheiro (Foto: Luis Prado / Divulgação)
João Pinheiro (Foto: Luis Prado / Divulgação)

Em 2007, o cantor e compositor carioca agora radicado em São Paulo, João Pinheiro, caiu nas graças do público e crítica ao dedicar um cd inteiro à obra da cantora anglo-nigeriana Sade Adu (João Pinheiro canta Sade – Saladesom Records). Adaptando com eficiência as canções da popstar ao universo musical brasileiro, conseguiu – fato raro – ter três canções do álbum incluídas em trilhas de novela.

Após cinco anos de ausência dos estúdios, o artista  que é  dono de uma das vozes mais incensadas da MPB,  acaba de  lançar, com um show no Teatro Rival,  seu terceiro registro fonográfico – “Julho”.  Com direção musical de André Agra, o álbum conta com participação da atriz Hermila Guedes dividindo os vocais na faixa “Tudo Que Eu Tenho”, versão de Rossini Pinto para “Everything I Own” do grupo norte-americano Bread,  regravações de Caetano Veloso (“Muito Romântico”) e Taiguara (“Hoje” e “Teu Sonho Não Acabou”), além de inéditas da safra autoral do cantor.

João conversou comigo por email e contou um pouco mais da carreira e da expectativa em relação a “Julho”, cuja turnê de divulgação deve começar a partir do mês de setembro. Abaixo, a entrevista.

Alexandre Eça. Você está vivendo em São Paulo. Já conseguiu respirar os ares musicais da cidade? Sente diferença em relação ao círculo musical carioca?
João Pinheiro – Moro em São Paulo tem 2 anos e meio, respiro e me deixo influenciar pelo frescor desses novos ares, meu modo de compor e de pensar música se entregou a essa nova fase na vida. As diferenças são muitas, a começar pela diversidade musical e pelo consumo dessa diversidade. Tenho ido a vários shows e todos lotados por um público interessado em novos compositores e intérpretes. Aqui também tem mais lugares para se apresentar e, desde que vim para cá, tenho me apresentado em palcos incríveis como os Sescs Pompéia e Pinheiros, o Itaú Cultural e o Teatro Cacilda Becker, por exemplo.

A.E. –  Vários jovens compositores paulistas despontam com um trabalho autoral de qualidade, principalmente nos últimos dois anos. Já travou contato com essa turma? Conhece a produção dos novos paulistas?
J.P – Tenho me interessado sim pelos novos compositores, paulistas ou não, pois nunca fui de ficar parado em gueto, gosto e acredito na mistura. Ouço e presto atenção em Dandara Modesto, Paulo Monarco, Sandro Dornelles, nos meninos do 5 a Seco e no Fi Bueno (com quem tenho feito algumas músicas). Tenho participado dos shows da paraibana Socorro Lira e componho com o carioca Filipe Souza, ambos morando em São Paulo. Em eventos tenho encontrado com uma turma que admiro como Tulipa Ruiz, Filipe Catto e Blubell, todos cantores e compositores.

A.E. – Como surgiu a idéia da participação da Hermila Guedes no cd?
J.P –  O jornalista e produtor Cleodon Coelho tem feito a direção dos meus últimos shows e foi ele quem sugeriu que eu gravasse “Tudo que eu tenho”, versão de Rossini Pinto para sucesso do grupo Bread (Everything I Own). E ainda sugeriu um dueto com Hermila, que já a admirava como atriz, mas que até então não havia feito sua estreia em CD. É uma das faixas preferidas de quem ouve o disco.

A.E. – Em relação aos seus 2 álbuns anteriores, percebi uma mudança de rumo na sonoridade. “Julho” me parece um trabalho mais pop, menos calcado no ambiente tradicional da música popular brasileira. É isso? Você sente esta percepção das pessoas?
J.P – Na letra de “Brasilidad”, faixa do meu primeiro CD, já dava sinais de como eu gostaria de conduzir minha sonoridade musical, que diz: “Eu vou cantando samba, eu vou cantando bossa, eu vou cantando baião, eu vou cantando uma canção, eu vou cantando blues, eu vou cantando macaratu, eu vou cantando jazz, eu vou cantando yes, eu vou cantando”. Sinto-me livre para fazer um disco diferente do outro, aliás, uma faixa diferente da outra. Não saberia e não gostaria de fazer um disco em que todas as faixas soassem iguais. Trato cada faixa como única. Claro que em “Julho” tenho mais guitarra, baixo e bateria, um trio pop, mas não perco a mão do tango, do afoxé ou do blues por conta disso. Fico feliz quando alguém percebe e comenta: “É um disco de João Pinheiro”. E já penso nos meus dois próximos trabalhos, um mais rock e outro mais samba, tudo do meu jeito.

cd_julho

A.E. – “Julho” traz 3 composições próprias. O João compositor é uma necessidade consciente de se expressar, além do ofício de intérprete?
J.P – “Julho” é meu disco de canções e, através delas, quis dizer como é o universo deste romântico canceriano com ascendente em câncer. Quando comecei a fazer as primeiras poesias no colégio, e que eram copiadas nos cadernos das meninas, percebi que muitas outras pessoas se identificavam com o que eu havia escrito. Gostei disso. Então não demorou para eu compor as primeiras canções como “Coração Bobo” e “O Chapéu”. Minha composição é direta, clara, daquelas que as pessoas se apontam na plateia, riem e se emocionam junto comigo. E mesmo quando canto músicas de outros compositores gosto de dar a minha versão. Entendo que o mesmo verso pode ser interpretado de outra maneira, então, vou pedindo licença para “reescrever” a canção. Assim foi com o trabalho sobre as músicas da Sade, ou quando canto Roberto Carlos (As curvas da estrada de Santos) ou Lulu Santos (Vale de Lágrimas), por exemplo. Em “Julho” gravei duas músicas antigas minhas, “Lapsos” (“você esquece as chaves e vive perdendo dinheiro, você perde guarda-chuva e fala sozinha na rua”) e “O Ego”, que conta a história do ego quando se apaixona. E, mais recentemente, fiz “Deixa eu cuidar de você”, em parceria com o DJ Tony Dorea – só o título já diz muito do que é ser canceriano.

A.E. – Ter música em trilha de novela, todos sabemos, não é algo fácil. Você já conseguiu emplacar quatro temas nas tramas globais. Como se deu esse processo?
J.P – O diretor Jorge Fernando entrou em uma loja de disco em Copacabana e saiu de lá com o “João canta Sade”, por indicação do vendedor. Voltou no dia seguinte, comprou mais desse disco e deu de presente para várias pessoas. Até que voltei de uma turnê pela Europa e recebemos a solicitação de “No Ordinary Love” para a trilha de “Caras e Bocas” como tema da atriz Ingrid Guimarães. Ela engravidou no meio da novela e Jorginho escolheu “All about our love” para tema de Flávia Alessandra! Eu que havia pedido ao meu anjo da guarda para que um dia eu me ouvisse na TV, estava com duas no mesmo mesmo folhetim de sucesso na Globo. A seguinte foi um pedido do Jorge Fernando para gravar “Soldier of love”, música da Sade e autorizado pela própria para que eu gravasse.

A.E. – “Live Life” é uma inédita do mesmo criador de The Sweetest Taboo, sucesso da Sade, e que também deu grande projeção ao seu som. Foi feita especialmente pra você?
J.P – 
Martin Ditcham, em parceria com Harry Bognadovs, um dia entrou no meu perfil da internet, disse que viu meus clipes e que havia composto “Live Life” para mim. Um mês depois chegou o CD pelos correios (ele não quis enviar um mp3!) e mostrei para Jorge Fernando que incluiu na trilha de “Guerra dos Sexos”. Martin, um gentleman, também é percussionista na banda da Sade.

A.E. – “Julho”, o show, estreou no Teatro Rival neste mês. Como foi essa estreia? Há planos para apresentações em São Paulo ou turnê nacional?
J.P – Sempre é um prazer, uma grata emoção, poder cantar no Rival. Lá já fiz alguns shows e tive a oportunidade de ter como convidados Beth Carvalho, Elisa Lucinda e Emílio Santiago. A estreia foi no dia do meu aniversário, como eu havia pensado quando comecei a elaborar o lançamento do CD. Participo do espetáculo em todos os aspectos junto com uma equipe que me acompanha há muito tempo. O figurino com Flávio Mothé, cenário com Maristela Pessoa, a direção musical de André Agra e a banda formada por Carlos Cesar (bateria), Pedro Moraez (baixo), Adaury Junior (teclado/acordeon), Márcio MM Meirelles (guitarra) e Antonio Canella (sopros). Neste show tive como convidado especial Jean-Marc Lucenet (cítara) duble de músico e diretor da Pegeout/Brasil. Agora gravo o clipe novo e a agenda segue por todo o Brasil a partir de setembro.

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