Entrevista Música Mpb Pop Show

ENTREVISTA: Thiago Pethit fala sobre o show com as trilhas dos filmes de David Lynch

pethit_pic
Thiago Pethit (Foto: Gianfranco Briceño / Divulgação)

Na estrada cumprindo trajetória de divulgação do seu elogiado segundo álbum, “Estrela Decadente” (Independente, 2012), o ator, cantor e compositor paulista Thiago Pethit se lança agora num projeto especial que será apresentado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, no próximo dia 22.

Criado em parceria com o Sesc, “Thiago Pethit Canta as Trilhas de David Lynch”, terá, a princípio, uma única apresentação com repertório baseado em  números emblemáticos de seis filmes do cultuado cineastra norte-americano David Lynch – “Wild at Heart”, “Mulholland Drive”, “Blue Velvet”, “Inland Empire”, “Lost Highway” e “Twin Peaks”. No palco, Thiago terá a companhia dos músicos  Pedro Penna (guitarra e arranjos de cordas), Camila Lordy (piano/teclado), Anderson Ambrifi (baixo), Leonardo Rosa (bateria), Cintia Zanco e Camila Costa (violinos) e Ana Elisa Colomar (cello).

Entre ensaios e preparação da viagem para Argentina, onde mostra “Estrela Decadente” no dia 15 em Buenos Aires, Thiago conversou comigo e falou sobre a carreira e um pouco mais do show com as trilhas do Lynch.

A entrevista:

Alexandre Eça – Muito se fala sobre seu amadurecimento artístico desde a estreia, em 2008, com o EP independente “Em Outro Lugar”. Você sente esse salto de qualidade?

Thiago PethitSinto que ganhei mais intimidade com a música. Somos mais e mais íntimos mesmo, sabe. Mais a vontade, mais seguro de poder me entregar em certos aspectos. Como numa relação amorosa, já passamos da fase de começar a se conhecer. Já nos odiamos e já nos amamos muito, já nos aconteceu bastante coisa juntos. Certamente isso deve refletir no que se escuta e no que se vê do meu trabalho, de lá pra cá. Mas eu sou um péssimo autocrítico, ou melhor, sou autocrítico e perfeccionista demais para conseguir dizer que tive um salto de qualidade. Olho o tempo todo para os defeitos e para o que precisa ser lapidado, e por isso estou sempre atento pro caminho de pedras à frente e não para o que já trilhei.

Recentemente, em Paris, você esteve divulgando o seu segundo álbum “Estrela Decadente” e sei que está às vésperas de se apresentar na Argentina. Como tem sido a aceitação do seu som fora do Brasil?
Tem sido ótima. Parece que certas coisas são absorvidas com muito mais facilidade lá fora. Algumas influências, por exemplo, soam mais claras para eles do que aqui no Brasil. Ao mesmo tempo, parece que sou melhor compreendido como um ‘som brasileiro’, certamente mais do que aqui. Porém, algo que eles consideram longe do clichê do que se espera de um som brasileiro, ou da mpb para exportação. O fato dos países estrangeiros estarem com os olhos voltados para o Brasil, levanta uma curiosidade por esse tipo de som, ou por novos sons. E isso de não ser clichê, realmente tem sido um atrativo. Foi assim que me justificaram o uso de uma música minha para uma campanha publicitaria sobre o Brasil, de uma grande marca de lojas francesa. (NE – a rede de lojas  Le Bon Marché Rive Gauche)

Sempre que vejo referências ao show, citam um certo clima de cabaré, algo teatral, que permeia o espetáculo. E eu sempre enxergo um lance também cinematográfico tanto na sua atuação como nas referências visuais. “Devil in Me” eu acho muito coisa de cinema. Na concepção do show, o cinema teve influência?
O cinema me influencia muito! Sempre me vejo criando músicas-trilhas para filmes imaginários que só existem na minha cabeça ou para aqueles que eu gosto muito e já assisti um milhão de vezes. Devil in Me foi pensada como trilha de algum David Lynch. Com aquelas atmosferas aterrorizadoras e eróticas que os filmes dele possuem. Eu sempre fui cinéfilo. Antes de ser músico, minha primeira paixão fatalmente foi o cinema.

(Reprodução Facebook do artista)
(Reprodução Facebook do artista)

Sobre o “Thiago Pethit Canta as Trilhas de David Lynch”, como surgiu a ideia do show?
Bom, esse show surgiu justamente dessa vontade, quase uma necessidade até, de explicitar certas coisas que eu sinto que o público muitas vezes tem dificuldade de absorver nos nossos tempos abarrotados de informação. Muitas vezes, já tentei e citei em entrevistas, por exemplo, sobre o quanto o cinema acaba me influenciando mais até do que a música em si. E isso é difícil de entender. Seria mais fácil dizer: ‘gosto de Elvis Presley’ para justificar alguma influência, mas não é exatamente isso que eu sinto. Eu gosto desse ‘Elvis’ inserido num contexto específico, numa cena que quer dizer algo…
Assim como seria mais fácil fazer um show sobre as trilhas do David Bowie, para mostrar minhas referências. Mas seria o mais óbvio. Acho interessante poder mostrar o quanto eu gosto de construir atmosferas, climas, criar narrativas imaginárias. E o Lynch foi um das caras que mais me inspirou neste último álbum. Chega a ser engraçado pensar que essas músicas são tão fortes nos seus filmes, e servem para comunicar as mensagens dele enquanto diretor, e que ele sim, é superinfluenciado por músicas. E de repente, eu estou fazendo o caminho inverso, me influenciando pelas mensagens dele, para transformar aquilo em música de novo. Por sinal, eu amo o Elvis inserido nos contextos dele.

A definição do setlist foi em que direção? Preferências pessoais somente? O roteiro é assinado apenas por você ou há colaboração do pessoal da banda?
Bom, preferencias pessoais estão sempre na frente, né? E depois, o que seria mais possível sonoramente, dentro da formação de banda que temos. E ai vai abrindo um leque de coisas, desde aquelas que não podem faltar ou aquelas que ninguém nunca me imaginou cantando, até algumas que entraram para colaborar com as ideias de encenação que eu propus. O roteiro é meu, mas os arranjos são todos em conjunto. Especialmente os arranjos de cordas que estão sendo feitos especificamente para este show, pelo Pedro Penna, meu guitarrista.

A programação fala em show único. Não há planos para que o espetáculo cumpra carreira paralela à tour de “Estrela Decadente”?
Não tenho essa intenção de seguir isso como um projeto. Até porque eu gosto que seja especial e que tenha um tom de ‘diversão’ sem compromisso, embora tenha tanto compromisso envolvido que dá um pouco de pena mesmo não repetir. Mas a ‘Estrela Decadente Tour’ tem ainda um caminho pela frente e projetos como esse, especiais, acabam alimentando mais ainda o meu repertório pessoal. Devo tocar algumas dessas músicas dentro da turnê e mesclar essas ideias. Já recebi um convite para repetir também, e não estou fechado a possibilidades. Mas certamente, não é o meu foco.

Recorrentemente você é  identificado com o mundo da moda. Como isso vai aparecer neste show? São figurinos feitos especialmente para a apresentação?
Os figurinos vão ser pensados para este show e para ajudar na ideia de encenação que temos. Mas estamos bolando isso tudo em conjunto. A ideia é misturar os smokings dos bailes de debutante dos anos 60, essa elegância antiga dos crooners, com um ar rockabilly e mais atual. Como os personagens mais caricatos do Lynch, mas com uma ideia rock n roll no estilo dos meninos de Hedi Slimane.

Serviço
Thiago Pethit Canta as Trilhas de David Lynch
Quando: 22.8.2013
Onde: Sesc Vila Mariana – São Paulo
Quanto: de R$ 12 a R$ 24

0 comentário em “ENTREVISTA: Thiago Pethit fala sobre o show com as trilhas dos filmes de David Lynch

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s