LANÇAMENTO: Armazém 73 – Um tributo aos Secos e Molhados

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Completando 40 anos, a personalíssima estreia fonográfica dos Secos e Molhados tem mais uma tentativa de modernização de sonoridade com 13 componentes da nova cena roqueira (indie?) brasileira. Em 2003, tal empreitada já havia sido alavancada por nomes, hoje estrelados, como Arnaldo Antunes, Nando Reis, Ira!, Pato Fú e até Falamansa. Na ocasião o saldo foi pífio.

Dez anos depois, o selo RockinPress faz outro mergulho neste repertório com resultados que, se não soam tão rasos, também não empolgam muito. Como todo trabalho sem direção artística – no caso, cada artista fez sua versão livremente, sem conceito musical definido – a irregularidade dá a tônica do álbum.  Sejamos justos, o álbum original é tão marcante que, hoje, depois de uma revisão histórica, se configura como uma das melhores estreias musicais brasileiras em todos os tempos. Não é trabalho fácil fugir de símbolos como “O Vira”, “Sangue Latino” e “Assim Assado”. Deixar de lado as comparações então, é impossível.

Mas há bons momentos em “Armazém 73”. A banda sergipana Bicicletas de Atalaia acerta o tom roqueiro de “Mulher Barriguda”. Nevilton vai pelo mesmo caminho acrescentando doses de psicodelia à  “Prece Cósmica” e também se sai bem. Mais reverente, Phillip Long, não se arrisca muito e vai no caminho do folk em “O Patrão Nosso de Cada Dia”. Curiosa é a versão feita pelo carioca Thiago El Niño, apontando um surpreendente fraseado rap para “Primavera Nos Dentes”.  No meio do caminho ficam,  com suas pálidas leituras,  A Banda Mais Bonita da Cidade com “Assim Assado” e Leo Fressato com “Rondó do Capitão”. Não dizem muito a que vieram.

Nome muito comentado na cena independente, a baiana Nana erra mão em “Rosa de Hiroshima” ao apostar na eletrônica, overdubs e afins que soterram a melodia de Gerson Conrad e um fiapo de voz que fazem banais os belos versos de Vinicius de Moraes. Também errática, abrindo o cd, é a versão do maior sucesso dos Secos e Molhados,  “Sangue Latino”, por Mahmundi.

Entre altos e baixos (mais baixos, diga-se), este tributo, como tantos outros que estão na moda, é sempre bem-vindo por trazer à tona para um público mais jovem  um conjunto de canções desse quilate e que pro bem da música brasileira não deve ficar na poeira das prateleiras.

O álbum está disponível para audição e download gratuito. Aqui.

Armazém 73 – Tributo aos Secos e Molhados
Lançamento: Selo RockinPress, agosto 2013
Review: * * 

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