LANÇAMENTO: Simone – “É Melhor Ser”

Marcado pelo piano do arranjador  Leandro Braga, “É Melhor Ser” é  bom álbum que mantém Simone no mesmo patamar de acomodação musical dos últimos anos, porém com elegância

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Simone – É Melhor Ser
Lançamento: Biscoito Fino, Novembro/2013
Quanto: R$ 25, em média
Review: * * *

Há tempos a carreira da cantora Simone se mantém estagnada em caminhos de conforto e acomodação musical que sugerem até certa preguiça artística. Em 2009, o lançamento de “Na Veia“, bom álbum de inéditas que não obteve a repercussão merecida, ensaiou uma volta por cima. É bem verdade que a mesmice que assola sua carreira nunca se refletiu na relação com os fãs, que continuam ardorosos e lotando todos os shows, como comprovam as disputadas apresentações feitas no Rio de Janeiro na semana passada e os ingressos esgotados para os shows da capital paulista nos dias 8 e 9 de Novembro.

Agora, a baiana joga no mercado seu novo disco, “É Melhor Ser” (Biscoito Fino), produzido por Bia Paes Leme e arranjado pelo pianista Leandro Braga, com repertório baseado em canções que têm mulheres como compositoras, a maioria regravações – num universo de 13 faixas, apenas 3 são inéditas. Desta fornada de inéditas, a melhor é a feita em parceria com Zélia DuncanSó Se For“, elegante bolero calcado em piano e leve percussão. Piano, aliás, que domina a tocada do disco, quase sempre para o bem. A ótima regravação de “Descaminhos” (Joana / Sarah Benchimol), música que projetou nacionalmente a cantora Joana, em 1979, é outro acerto na escolha do repertório. Seguem o mesmo caminho de graça, a americanizada leitura de “Charme do Mundo” (Marina Lima / Antonio Cícero), “Vida de Artista“, canção de Sueli Costa e Abel Silva e a pulsante interpretação de “Mulher o Suficiente” (Alzira Espíndola / Vera Lúcia Motta), verdeira recriação de um tema do repertório de Tetê Espíndola.

No mais, “É Melhor Ser” soa morno, deixando aquela impressão que conter pouca novidade, em que pese a ótima forma vocal de Simone, que continua cantando lindamente ao completar 40 anos de carreira. Faltou uma dose extra de pimenta no tempero da baiana.

8 comentários

  1. Mariana parabéns! Ponto e contraponto perfeitos! Escutei também o disco e achei mil vezes melhor que o anterior “na veia” . Ao assistir o show me deparei com uma cantora perfeita , em forma vocal melhor que nunca,desfilando 21 músicas de forma impecável com fôlego de 20 anos de idade. Realmente, críticos e Simone não combinam e essa mesmice acontece desde os anos 70 . Já está cravada na sua biografia o desdém da crítica pela seu canto forte, belo e único. Para mim isso não muda nada, a prova são 40 anos de sucesso absoluto . Que continue a mesmice da crítica aguardando que Simone caiba em não sei que definição de “poder mais”.

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      1. Então quer dizer : se a artista que tivesse feito esse disco possuísse o marcador zerado em derrapadas artísticas, o trabalho teria uma consideração ou qualidade melhor? e seria merecedor de uma nota maior? então ela nunca será “perdoada” pelos seus supostos e relativos descaminhos artísticos? Necessita fazer um disco estupendo , diferente de tudo, inovador, incrível, espetacularmente espetacular para ter um reconhecimento a nível do seu talento e historia? Eita a indulgência para o perdão dos supostos descaminhos é muito alto.

        Considerando a idade dela e também considerando que ninguém vai viver eternamente(fisicamente digo) será que vai dar tempo nessa vida ela alcançar um olhar com um pouco mais de boa vontade da critica?

        Na realidade acho que ela não precisa tanto assim desse reconhecimento desses críticos que se repetem na mesmice. Ou será realmente mesmice,e sendo assim mesmice (artista) gera mesmice(critico) e fica tudo nessa mesmice mesmo.
        Esse olhar mesmice da critica não ajuda o leitor sair da mesmice.Será que é isso mesmo? agora não sei mesmo.

        A propósito não achei o disco mesmice , teve coisas novas e diferentes.

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      2. Mariana, a impressão sobre qualquer trabalho parte sempre do olhar pessoal, por mais que desejemos a imparcialidade. A minha é uma, a sua é outra, a do amigo será ainda diferente, e isso é legal. Acho que a Simone pode mais.
        Um abraço.

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      3. Agradeço, pelo menos o retorno! Nem todos se dão o trabalho de responder.

        O argumento… bom, o argumento é hábil, mas não deixa de ser justificativo.

        A melhor referência sobre a Simone, é justamente a qualidade da voz, do canto, etc. (que ainda bem você menciona ao final e que, aliás, serviria de base pra uma ‘decepção’: uma voz assim! cantar isso…?)

        O ‘prefixo’ meio pejorativo – que já estabelece um ponto [negativo] de partida – pouco ajuda a uma ideia mais global e, sobretudo, objetiva sobre o ‘passado’ musical da artista.

        ‘Carreira estagnada’, em bom português e apesar das ressalvas, significa artista ruim! Veja bem, não cantora, mas artista ruim…

        Se ela fez o Na veia, que você acha melhor e antes Amigo é casa em que é difícil botar defeito (justamente por ser sob medida pra crítico) e até mesmo o elogiado Baiana da gema (que eu pessoalmente acho muito chato – esse aqui é mais ‘variado’, apesar de morno). E em 2001 o ÓTIMO Seda pura (também ‘uma lufada de ar fresco’ e tal e coisa)… será que ela está tão ruim assim???

        Estagnada pra nós, os fãs, que não a vemos no estilo que mais conhecemos e gostamos. No sentido estrito, a Simone vem fazendo mais o menos o mesmo há 30 anos, desde que deixou a EMI. E se parou de ser explícita foi pra preservar o pouco que lhe resta de prestígio. O paradoxo é que então crítico reclama e diz que é morno.

        Eis o problema de ‘estar em missa e procissão’ como dizem em espanhol.

        Quanto ao disco… entendo o seu ponto. Concordo parcialmente. Podia ser mais, sem dúvida. E nós mereciamos. Mas veja só, como são as coisas… você acha Só se for uma boa música… e pra mim é talvez a mais fraca de todo o lançamento, tanto melódica, quanto ‘poetica’? ‘poeticamente’. Só cresce da segunda parte pro final, e isso, pela voz e um pouco o arranjo.

        A letra é nada. É ruim de fato. Mais cafona que a ‘dona esperança no ar’, é preciso mandar fazer… Mas quem vemos por aqui? ZD. Das intocáveis, incombustíveis? tipo Caetano ou Bethânia.

        O piano? Chatérrimo. Tanta insistência cansa. Ótimo o Leandro Braga foi em Os medos, Mulher o suficiente, Haicai, os sambas (mesmo em Acreditar) e, sem dúvida alguma, em Charme do mundo! (um prazer só!).

        Me pergunto se alguém já raparou no contrabaixo e as caixas da faixa final? Eu sim. Só por Medos, Mulher, Aquele plano, Haicai e Charme, vale o disco, que precisa de um olhar mais detalhado e, sobretudo, mais benévolo.

        Obrigado pelo espaço e a paciência!

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