INDEPENDENTE: Ligiana Costa – “Floresta”

luva

Ligiana Costa – Floresta
Lançamento: Independente / Tratore, março 2013
Review: * * * 1/2

Num ano em que a produção independente nacional foi tão farta quanto irregular, “Floresta“, segundo álbum da cantora paulista Ligiana Costa parece ter fôlego e inclinação para a diferença. Nos versos de “Malabares” (Ligiana Costa / Celso Araújo / Marcel Martins), faixa emoldurada por combo de sopros que abre bem o cd, as pistas da vontade da cantora em ser ouvida sem distinções de público – “canto para quem cultiva carros e flores / cantos pros que plantam bananeira no asfalto / calados no sinal, fechados num silêncio ambulante“. “Floresta” não se esconde em economias, tampouco aparenta ter sido produzido apenas  para os amigos da artista, norte que domina boa parte dos indies brasileiros, fechados para o mundo real e popular.

Gravado na Bahia e produzido pelo maestro Letieres Leite,  seria até esperado que as percussões (marca que pesa na mão do músico) dominassem a sonoridade do disco. Mas não é isso que acontece. Apenas em “La mizé pa dous“, canção haitiana de domínio público, e em menor grau em “Vem a Tempestade“, versão de Celso Araújo para tema do compositor italiano Pino Daniele, elas emergem em primeiro plano. No restante do álbum, as cordas ditam o ritmo da tocada. “Despertar”, parceria de Ligiana com Juliana Kehl é uma das lindas canções do disco. “Rouge” (Ligiana Costa / Lucas Paes), com letra em francês e embalada por violinos é outra faixa em que Ligiana atinge alto voo artístico. Menos sedutoras, “Corda e Mearin” (Ligiana Costa / Letieres Leite) ou “Um Pássaro“, parceria da cantora com Chico César, não chegam a esmaecer o ritmo do cd.

Ampliando o horizonte conceitual do álbum, um boi maranhense (“Boi de Catirina“) ajuda a justificar o título do trabalho, dedicado à avó materna da cantora, a maranhense Floresta Pires Araújo. Esse mosaico de referências nem sempre conectáveis num primeiro momento, que até poderiam fazer o aálbum se perder nos excessos,  soa coeso pelo rigor estilístico empregado e vem cinzelado por uma grande voz. O canto de Ligiana, em todos os momentos, tem encaixe perfeito nas bordas desenhadas por Letieres.

A rica e fértil Floresta da artista acerta ao lançar olhar sem assombro ao elogio da união de ritmos, sons e experiências.

O álbum está disponível para audição no site oficial da Ligiana Costa. Aqui.

Esta semana, a cantora mostrou as canções do disco em show no Auditório do Sesc Vila Mariana. Algumas fotos da apresentação. Aqui.

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