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SHOW: Simone – “É Melhor Ser”

Em São Paulo, carisma da cantora em cena faz as canções de “É Melhor Ser” superar as gravações originais 

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Simone – É Melhor Ser
Quando: 8.11.2013
Onde: Teatro Geo – São Paulo
Review: * * * 1/2

(por problemas técnicos, faltou o registro fotográfico do show)

Ainda na introdução de “A Propósito“, primeiro dos 21 números apresentados por Simone na noite de estreia de “É Melhor Ser” em São Paulo, o frisson da plateia se fazia notar, ansiosa pela presença da cantora. Interessante notar uma certa diferença entre os públicos dos companheiros de geração da baiana – enquanto Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Marina Lima, e em menor grau, Maria Bethânia atraem atenção de jovens que nem eram nascidos quando do auge do sucesso radiofônico destes artistas, a plateia da Simone dá a impressão de ter contornos bem mais tradicionais. É um público que não espera grandes novidades ou mudanças de rumo na sonoridade da música que pautou os 40 anos de carreira da cantora. O sucesso do show, a meu ver, também se deve a essa comunhão certeira entre expectativas e o que de fato foi mostrado no palco.

O início pop, quase roqueiro com a guitarra de João Gaspar em primeiro plano, com “Mulher o Suficiente” (Alzira E / Vera Lúcia Motta), até dá impressão de que Simone fugirá de sua zona de conforto artística, mas logo essa sensação se esvai quando o samba de Adriana Calcanhoto, “Aquele Plano Para Me Esquecer” gira a cena de volta para o mundo há tanto bem estabelecido da artista. Como que para acentuar que o show não é retrospectivo, a primeira parte do espetáculo dá vez ao repertório de “È Melhor Ser” sem grandes alterações em relação ao registro de estúdio – “Trégua Suspensa” parceria de Tereza Cristina e Lula Queiroga, a ótima abordagem de  “Descaminhos” (Joanna / Sarah Benchimol) e “Só Se For“, lindo bolero que Simone compôs com Zélia Duncan. No sétimo número da apresentação, Simone se solta um pouco mais e faz do baião “Haicai“, inédita de Fátima Guedes, um dos melhores momentos do show, ao ritmar com palmas, prontamente seguidas pelo público, e sacar bem as incidentais “Vai lavar siri” (domínio público), “Não chora, Neném” (Ivone Lara) e “Tiê“, partido alto de Done Ivone Lara (Mestre Fuleiro e Tio Hélio), de quem a cantora ainda mostraria “Acreditar“.

Segura e dona da cena, a cantora ainda passeou por temas  conduzidos pela tocada do piano de Leandro Braga, diretor musical do show, revelando belezas em “Canteiros” (Fagner), uma terna versão para “Só nos Resta Viver” (Angela RoRo), além de sucessos na sua voz como “Outra Vez” (Isolda) e “Jura Secreta“, grande canção de Sueli Costa e Abel Silva que Simone fez a gravação definitiva.

Cantando com a categoria de sempre, Simone ofereceu exatamente o que seu público parecia esperar. Um show bonito de ver e ouvir, que se não trouxe grandes novidades, se mostrou totalmente integrado ao universo de seu fieis fãs.

O setlist da primeira noite do show “É Melhor Ser”, em São Paulo.

1. A propósito (Simone sobre carta de Fernanda Montenegro)
2. Mulher o suficiente (Alzira E / Vera Lúcia Motta)
3. Aquele plano para me esquecer (Adriana Calcanhotto)
4. Descaminhos (Joana / Sarah Benchimol)
5. Trégua suspensa (Teresa Cristina / Lula Queiroga)
6. Só se for (Simone / Zélia Duncan)
7. Haicai (Fátima Guedes) / Vai lavar siri (domínio público) /  Não chora, Neném (Ivone Lara) /
Tiê (Ivone Lara / Mestre Fuleiro / Tio Hélio)
8. Candeeiro (Teresa Cristina)
9. Canteiros (Fagner sobre poema de Cecília Meireles)
10. O tom do amor (Moska / Zélia Duncan)
11. Outra vez (Isolda)
12. Só nos resta viver (Angela Ro Ro)
13. Acreditar (Ivone Lara / Délcio Carvalho)
14. Mutante (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
15. Charme do mundo (Marina Lima / Antonio Cícero)
16. ?
17. Primeira estrela (Luli / Lucina)
18. Vida de artista (Sueli Costa / Abel Silva) /
19. Jura secreta (Sueli Costa / Abel Silva)
20. BIS: A noite do meu bem (Dolores Duran)
21. BIS: Alma (Sueli Costa / Abel Silva)

3 comentários em “SHOW: Simone – “É Melhor Ser”

  1. Ivone de andrade

    Interessante e sucinto seus comentários sobre apresentação de Simone, nós que somos seguidores, admiradores e fãs desta Diva, não nos decepcionamos com sua atuação neste recente espetáculo. Quanto as faixas etárias a que se referiu, não sei bem qual a procedência desta sua análise, mas enquanto alguns nomes citados, estão preocupados com técnica; Simone mostra mais emoção, carisma e capacidade de nos manter fiéis.Não veja isto como uma crítica, apenas um ponto de vista de quem gosta muito de boa música, principalmente da tupiniquim. A muito Simone tem uma legião de fiéis seguidores, por tudo que já fez, demonstrou em palco e já impactou, com apresentações antológicas e memoráveis. Tudo que precisava fazer em termos e inovações, em suas apresentações, já o fez. Leia-se por exemplo Delírios e Delícias, quando sua apresentação em cena deu o que falar até hoje (isto foi a 30 anos atrás). Hoje Ela pode se dar ao luxo, de simplesmente ser, estar e cantar. Seu público estará sempre presente, prestigiando, aplaudindo e se emocionando com sua voz e presença. Exigindo sempre, mais e mais apresentações e canções em sua voz marcante e inconfundível, sua presença, sensibilidade e carisma contagiando e encantando.

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    • Olá Ivone, obrigado pelo comentário. Então somos 2 fãs da música brasileira.
      Não estava me referindo apenas à faixa etária, era postura também. Enquanto em outros shows como os dos artistas citados há uma renovação de público, o da Simone me pareceu quase totalmente de fãs ardorosos. O que é ótimo.
      Um abraço
      Alexandre

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      • Eu também percebo as duas coisas: fãs de longa data (‘sem renovação’) e fãs com ‘pouco critério’ (que deliram com o já batido – exemplo Encontros e despedidas… prescindível nesses shows de há par de anos).

        Mas, voltam as ressalvas ‘negativas’. ‘Se as plateias de fulano e cicrano… as de…’. Não dá para partir DO show? (do que pouco se fala, perdendo preciosas dez linhas em antecedentes e impressões desnecessários).

        Pra mim – que sou ‘jovem’ e fã – é triste. Mas vc sempre estabelece paradigmas pouco edificantes. Gal Costa deixou de ser há séculos. Bethânia já cansa, pois até as ‘novidades’ são coisas mais que vistas. Caetano e Gil têm a ‘ eterna aura de vanguarda’ que, talvez, molde os gostos de uma juventude, cujos critérios, muitas vezes são ‘importados’.

        A ‘renovação’ da plateia também pode ser um sintoma negativo, não acha? Os artistas não conseguem segurar seu público dos tempos áureos, pra quem a decadência é mais nítida e têm de lucrar com as juventudes desinformadas e lacônicas dos tempos da Internet.

        A Cigarra está cantando muito bem. Mas muito bem mesmo, como um bom vinho. Os outros… bom… são os outros e nada influem no desempenho dela que deveria ser avaliado pelo que é.

        Afinal, amigo, se vc não ‘foge de sua zona de conforto jornalístico’ (até a frase é a mesma ou muito parecida) quem é vc pra cobrar isso à Cigarra?

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