SHOW: Juliano Gauche no Sesc Vila Mariana

Juliano Gauche no palco do Auditório Sesc Vila Mariana. 24.1.2014 (Foto: Alexandre Eça)
Juliano Gauche no palco do Auditório Sesc Vila Mariana. 24.1.2014 (Foto: Alexandre Eça)

Juliano Gauche
Quando: 24.1.2014
Onde: Auditório Sesc Vila Mariana – São Paulo
Review: star-512star-512star-512 1/2

No bom álbum solo que gravou em 2013, o cantor capixaba radicado em São Paulo Juliano Gauche dava pistas que sua música tem muito de uma alma noturna e por vezes atormentada. Mas ao levar à cena o repertório do disco, seu teatro trágico também apontou para caminhos de redenção. Em atuação vigorosa na noite desta sexta-feira, 24/1, no Auditório do Sesc Vila Mariana, Juliano mostrou um roteiro curto, em show com pouco mais de uma hora de duração e saindo pouco da base autoral do seu trabalho.

Logo na abertura, a versão com arranjo mais pesado que o registrado em estúdio de “Cuspa, Maltrate e Ofenda” (Juliano Gauche), moldada pelas guitarras de Junior Boca e Guri Assis Brasil indicou a disposição do cantor em armar um cenário algo contundente que, verdade seja dita, passou longe do banal. Há muito de interessante no discurso do Juliano. A soturna “Isto“,  “Ao Revolver“, onde as linhas de baixo de Daniel Lima, duramente marcadas,  remetiam a sonoridade pop-rock oitentista e “Como A Falta de Ar“, com sua introdução marcial, mantiveram o show numa trajetória confessional e dramática, de desacertos e reflexões num universo muito íntimo do compositor.

Foi com a entrada dos convidados, na segunda metade do show, que a redenção começou a dar as caras na noite. Primeiro com o cantor paulista Pélico em dois números – no dueto afetuoso de “Contando Os Dias” (Juliano Gauche) e na vibrante abordagem de “Recado” (Pélico), um dos poucos temas a fugir do repertório do álbum do Juliano. Na sequência, a cantora Luz Marina situou o show em atmosfera de delicadeza ao dar voz a “Além de Todo Gesto” (Juliano Gauche) , doce número valorizado pelo toque do pianista João Leão. Foi a deixa para a oitava música do setlist, a bela “Sérgio Sampaio Volta” (Tatá Aeroplano) abrir espaço para outro grande trunfo do Juliano – o de ótimo intérprete. Com alta voltagem emocional, o cantor conseguiu delinear matizes de sentimentos complexos, subindo os tons na levada crescente da canção, e revelando intenções que poderiam passar batidas nas mãos de alguém menos gabaritado. Depois do alto voo artístico, ao se encaminhar para o final da apresentação, Juliano Gauche cedeu à urgência roqueira e quase alegórica de “Amor do Capeta” e “Deixa Essa Porra Pra Lá” e voltou para o bis para reverenciar  com satisfação o compositor capixaba Sérgio Sampaio, influência confessa do cantor, em “Não Tenha Medo Não (Rua Moreira, 64)”No teatro trágico e inspirado de Juliano Gauche, os finais felizes existem mesmo que os percalços para alcança-los imponham dramas e desencontros.

Algumas fotos do show. Aqui.

O (curto e intenso) roteiro armado por Juliano Gauche na noite desta sexta-feira, 24/1, em São Paulo:

1. Cuspa, Maltrate e Ofenda (Juliano Gauche)
2. Isto (Juliano Gauche)
3. Ao Revolver (Juliano Gauche)
4. Como a Falta de Ar (Juliano Gauche)
5. Contando Os Dias (Juliano Gauche)
6. Recado (Pélico)
7. Além de Todo Gesto (Juliano Gauche)
8. Sérgio Sampaio Volta (Tatá Aeroplano)
9. Espera (Juliana R. / Junior Boca)
10. Amor do Capeta (Juliano Gauche)
11. Deixa Essa Porra Pra Lá (Juliano Gauche)
BIS
12. Não Tenha Medo Não (Sérgio Sampaio)

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