SHOW: “Agenor, as Canções de Cazuza” em São Paulo

(Foto: Alexandre Eça)
Os músicos de Agenor, As Canções de Cazuza no palco do Teatro Sesc Vila Mariana (Foto: Alexandre Eça)

Agenor, As Canções de Cazuza
Quando: 30.1.2014
Onde: Teatro Sesc Vila Mariana – São Paulo
Review: star-512star-512star-512 1/2

Disco lançando em 2013 por iniciativa da gravadora Joia Moderna, Agenor, As Canções de Cazuza arregimentou um grupo de artistas indies cariocas para recriar canções menos conhecidas do cantor e compositor carioca Cazuza, o Agenor de Miranda Araújo Neto (1958 – 1990), sob curadoria artística da jornalista Lorena Calábria. Se o resultado do disco soou um tanto irregular, ao ser levado ao palco com parte do elenco, esse repertório menos óbvio do popstar brasileiro renasceu entre experimentações e acabou rendendo um ótimo show.

Já na abertura, a banda paulista Do Amor deixou claro o espírito da noite ao distorcer, entre ruídos e arquitetura noise, a quase desconhecida “Gatinha de Rua” (Cazuza / Frejat), tema de 1985 nunca incluído num álbum de carreira do Cazuza e que só tivera registro em dueto com o cantor carioca Marcelo. Na sequência, ampliando o conceito do projeto, o duo Letuce roubou a cena com três canções ausentes do álbum e que à sua época obtiveram certo êxito popular – “Solidão Que Nada” e “Eu Queria Ter Uma Bomba” e “Preciso Dizer Que Te Amo“. Entre elas, “Não Amo Ninguém” (Cazuza / Ezequiel Neves / Frejat), tema que já era destaque do disco, surgiu em interpretação visceral de Letícia que parecia entender perfeitamente toda a dor expressa nos inspirados versos da canção. Foi o grande momento do show que depois viu a temperatura abrandar com a errática interpretação de Domenico Lancellotti e MOMO para “O Mundo É Um Moinho“, clássico de um outro Agenor, o Cartola. A inclusão de tema alheio a obra do homenageado explica-se pelo fato da gravação da música por Cazuza, em 1988, ter marcado uma mudança de rumo na sua carreira, que chegaria ao ápice de qualidade no mesmo ano com a edição do álbum “Ideologia“. Porém, a liberdade não resultou num bom número. O mesmo aconteceu na pálida abordagem dos dois artistas para “Todo Amor Que Houver Nessa Vida“, outro sucesso de Cazuza ausente do projeto e que foi acompanhada em coro pela plateia. A noite voltaria ao eixos no número seguinte, quando Marcelo Frota, o MoMo, sozinho no palco, alçou alto voo artístico na recriação folk de “Blues do Iniciante” (Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi, Maurício Barros e Cazuza), uma das poucas canções da noite a não contar com as experimentações eletrônicas que permeou quase todo show. Dando uma cara mais pop ao tributo, o músico carioca Quinho, também responsável pela direção musical do projeto, acertou ao injetar suingue na já clássica “Ideologia” (Cazuza / Ezequiel Neves), depois da inspiração cênica contida de “Um Trem Pras Estrelas“, música que Cazuza compôs com Gilberto Gil para a trilha do filme homônimo de Cacá Diegues. Foi no mesmo clima pop que o cantor pernambucano China subiu ao palco para encerrar o tributo, primeiro com “Culpa de Estimação” e depois em divertida e leve versão para um dos maiores sucessos do Barão Vermelho – “Bete Balanço” (Cazuza / Frejat).

Desviando um pouco da rota indie do projeto, ao incluir temas que marcaram a carreira de Cazuza, “Agenor…” acertou vários alvos – o principal deles, o de sublinhar com enfase experimental e ousadia sem estranhezas o imenso talento do homenageado.

Algumas fotos do show. Aqui.

O roteiro de Agenor, As Canções de Cazuza na segunda noite da temporada paulistana

1. Gatinha de Rua (Cazuza / Frejat) – Por Do Amor
2. Solidão Que Nada (Cazuza / George Israel / Nilo Romero ) – Por Letuce e Do Amor
3. Não Amo Ninguém (Cazuza / Ezequiel Neves / Frejat) – Por Letuce
4. Eu Queria Ter Uma Bomba (Cazuza / Frejat) – Por Letuce e Domenico Lancelloti
5. Preciso Dizer Que Te Amo (Cazuza / Dé Palmeira / Bebel Gilberto) – Por Letuce e Domenico Lancelloti
6. Doralinda (Cazuza / João Donato) – Por Domenico Lancelloti
7. O Mundo é Um Moinho (Cartola) – Por Domenico Lancelloti e Momo
8. Todo Amor Que Houver Nessa Vida – Por Domenico Lancelloti e Momo
9. Blues do iniciante (Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi, Maurício Barros e Cazuza) – Por Momo
10. Faz Parte do Meu Show (Cazuza / ) – Por Quinho e Momo
11. Sorte E Azar (Cazuza / Frejat) – Por Momo
12. Um Trem Pras Estrelas (Cazuza / Gilberto Gil) – Por Quinho
13. Ideologia (Cazuza / Ezequiel Neves) – Por Quinho e China
14. Culpa de Estimação (Cazuza / Frejat) – Por China
15. Bete Balanço (Cazuza / Frejat) – Por China
16. O Tempo Não Para (Cazuza / Arnaldo Brandão) – Com todo o elenco

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