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LANÇAMENTO: Rigorosa, Juçara Marçal faz de Encarnado um álbum de incômoda beleza

capa encarnado web

Juçara Marçal – Encarnado
Lançamento: Independente, fevereiro/2013
Quanto: R$ 20, em média
Review: star-512star-512star-512star-512star-512 

O desassombro em relação à morte é o fio condutor da temática que guia a cantora Juçara Marçal em Encarnado, primeiro álbum solo desta cantora com quase vinte anos de carreira e tão ligada a trabalhos de composição coletiva. Com as bandas Vesper, A Barca e Metá Metá, Juçara sempre foi a voz que deu vazão interpretativa às intenções sintomáticas dos compositores destes grupos. Em Encarnado ela vai além, sobe degraus e se apodera com tamanha propriedade e segurança das doze canções do disco que fica até difícil conceber que tais músicas não foram compostos pela própria cantora. A dureza dos elementos expostos no álbum encontram no seu conceito sonoro, cru, urdido pelas cordas de  Kiko Dinucci (guitarra), Rodrigo Campos (guitarra e cavaquinho) e Thomas Rohrer (rabeca) moldura perfeita cujo rigor estilístico expande outro grande disco desta década e creditado em parte a Kiko e Rodrigo em conjunto com Marcelo Cabral e Romulo Fróes- o Passo Elétrico (independente, 2013), do Passo Torto.

O duelo de guitarra e cavaquinho de “Ciranda do Aborto” (Kiko Dinucci) talvez seja o auge da materialização estética de Encarnado. Faixa com os secos versos, de estancada emoção “A ferida se abriu / Nunca mais estancou / Pra vc se espalhar / Laceado / Mas o chão te engoliu / Toda a lida findou / Pra vc descansar no meu braço / No meu braço / Aos pedaços“, “Ciranda…” acaba definindo conceitualmente todas as intenções de Juçara Marçal nesta (re)estreia. Inspirada, a cantora acerta entre  dissonâncias repetitivas em “Queimando a Língua” (Romulo Fróes /Alice Coutinho), nos ecos da Vanguarda Paulista em “E o Quico?“, regravação da música de Itamar Assumpção, que surge reverente às premissas do movimento cinzelado na décadas de 1980, na calculada exasperação da intérprete em “Não Tenha Ódio No Verão“, canção do álbum “Tropicália Lixo Lógico” de Tom Zé ou mesmo na faixa de abertura do álbum, a definidora “Velho Amarelo” petardo poético de Rodrigo Campos que passa longe de qualquer hermetismo ou subjetividade. Composto por reflexões às vezes sombrias, Encarnado é disco de incômoda beleza – tão atual e evidente quanto obrigatório.

O álbum está disponível para download gratuito no site da cantora. Aqui.

1 comentário em “LANÇAMENTO: Rigorosa, Juçara Marçal faz de Encarnado um álbum de incômoda beleza

  1. A crítica tem elogiado muito esse disco.Eu ouvi uma vez,e não gostei.Deve ser daqueles trabalhos que melhoram com o tempo.

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