SHOW: Em clima de reverência, Bárbara Eugênia presta tributo amoroso à cantora Diana

Bárbara Eugênia e Diana no palco do Teatro Paulo Autran (Foto: Alexandre Eça)
Bárbara Eugênia e Diana no palco do Teatro Paulo Autran (Foto: Alexandre Eça)

Bárbara Eugênia Cantando Diana
Quando: 12.3.2014
Onde: Teatro Paulo Autran – São Paulo
Review:  star-512star-512star-512

Foi em clima de reverência quase absoluta que a cantora paulista Bárbara Eugênia reinterpretou o primeiro álbum da Diana, cantora que atingiu o auge da popularidade na virada das décadas de 1960 para 1970, na noite desta quarta-feira, 12, no palco do Teatro Paulo Autran, em São Paulo. LP produzido por Raul Seixas (que à época assinava apenas Raulzito) e lançado em 1972, o “álbum azul”, como o disco é conhecido em alusão aos tons doces usados no projeto gráfico da sua capa, guarda os maiores sucessos de Diana.  Artista que se lançou na carreira artística com um compacto simples em 1967, num momento em que a Jovem Guarda já dava sinais claros de desgaste e o Tropicalismo abria caminho como movimento cultural relevante, Diana sempre foi vendida como cantora romântica que abordava um repertório ingênuo, sem grandes ambições estilísticas. O álbum azul, de alguma maneira atesta isto com seu alinhamento baseado em versões de sucessos americanos e italianos, boa parte deles vertidos para o português pelas mãos do letrista Rossini Pinto, e temática que invariavelmente trata do amor e suas consequências com um olhar pudico, quase familiar. À época, a classe média já impunha sua zona de conforto e não se esperava que Diana se opusesse ao perfeitamente estabelecido. Porém, essa doçura e aparente simplicidade que encontrava na voz pequena e bem colocada de Diana um canal perfeito para difusão também guardava um componente poderosíssimo que faz seu repertório soar atemporal – a fácil comunicação.

Bárbara Eugênia, que já tinha gravado uma canção deste disco no seu segundo trabalho (“Porque Brigamos“, no disco É O Que Temos), parece ter entendido perfeitamente o espírito da obra inicial de Diana ao refazer com bastante respeito e até certa falta de ousadia, o cd na íntegra, na mesma ordem da gravação original e sem arroubos de inventividade. Com uma banda afiada – Davi Bernardo (guitarra), Jesus Sanchez (baixo), Astronauta Pinguim (teclados) e Clayton Martin (bateria) – a cantora manteve uma atmosfera morna na parte inicial dos show que só começou a esquentar no terceiro número, quando o guitarrista Fernando Catatau, primeiro convidado da noite entrou em cena atribuindo riffs roqueiros a “Você Tem Que Aceitar“, uma das inéditas do disco, composta por Raul Seixas e Mauro Motta.

Bárbara Eugênia, Diana e  Karina Buhr (Foto: Alexandre Eça)
Bárbara Eugênia, Diana e Karina Buhr (Foto: Alexandre Eça)

Mas comoção mesmo só quando Diana entrou em cena, já na quinta música. Generosa, Bárbara deixou a homenageada da noite brilhar sozinha (assim como faria também com Karina Buhr em “Canção dos Namorados“) no iê iê iê “Quero Te Ver Sorrindo“, versão do sucesso de Carole King, inundada pelos teclados do Astronauta Pinguim, que empolgou o público formado basicamente por jovens que conheceram o trabalho de Diana depois que a música “Tudo Que eu Tenho”  foi incluída na trilha do filme O Céu de Suely. A balada de David Gates, com versão de Rossini Pinto, reservada para a parte final do roteiro, foi um dos pontos altos do show e abriu espaço para o dueto mais esperado da noite-homenagem com Bárbara e Diana dando acento roqueiro-indie à Porque Brigamos, canção que serve de amostra do melhor da obra de Diana: refrões  fortes e a tal da fácil comunicação.  A reverência conceitual com que Bárbara moldou o show, acabou sendo a característica mais destacada da noite, numa troca amorosa entre gerações que no palco do Teatro Paulo Autran nem pareceram tão distantes como se poderia supor.

Algumas fotos do show. Aqui.

O roteiro de Bárbara Eugênia canta Diana:

1. Estou Completamente Apaixonada (Raulzito / Mauro Motta)
2. No Fundo Da Minha Vida (Stjepan Mihalineo Drago Britvic – versão Rossini Pinto)
3. Você Tem Que Aceitar (Raulzito / Mauro Motta)
4. Pegue As Minhas Mãos (Buffy Saint-Marie – versão Raulzito)
5. Quero Te Ver Sorrindo (Gerry Goffin / Carole King – versão Rossini Pinto)
6. Meu Lamento (Raul Vazquez – versão Rossini Pinto)
7. Canção Dos Namorados (D. Daniel / Rossini Pinto)
8. Hoje Sonhei Com Você (Raulzito / Mauro Motta)
9. Fatalidade (D. Pace, M. Panzeri / Conti/Argenio versão Rossini Pinto)
10. Tudo Que Eu Tenho (David Gates – versão Rossini Pinto)
11. Porque Brigamos (Neils Diamond – versão Rossini Pinto)
12. Ainda Queima A Esperança (Raulzito / Mauro Motta)
BIS
13. Foi Tudo Culpa Do Amor (Odair José)
14. A Música Da Minha Vida (versão Diana)
15. Estou Completamente Apaixonada (Raulzito / Mauro Motta)

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