SHOW: Impactante, Alice Caymmi subverte conceitualmente a obra de Dorival Caymmi na estreia de “Dorivália”

Alice Caymmi no palco do Sesc Belenzinho (Foto: Alexandre Eça)
Alice Caymmi no palco do Sesc Belenzinho (Foto: Alexandre Eça)

Alice Caymmi – Dorivália
Quando: 13.3.2014
Onde: Sesc Belenzinho – São Paulo
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Quando a cantora carioca Alice Caymmi subiu ao palco da enorme Comedoria do Sesc Belenzinho na noite da última quinta-feira (13), seu figurino de inspiração carnavalesca já sinalizava que além de lançar olhar tropicalista à obra de Dorival Caymmi, Alice também daria contornos anárquicos à Dorivália, show que iniciou carreira no Rio de Janeiro no mês de janeiro, e que foi apresentado pela primeira vez em palcos paulistanos.

Se havia alguma dúvida que a cantora, filha do músico Danilo Caymmi, subverteria conceitualmente o repertório clássico do avô, trazendo canções já arraigadas no imaginário popular do brasileiro para a cena contemporânea, “Canção da Partida“, tema inicial do curto e inteligente roteiro armado pela artista, zerou as desconfianças ao surgir impactante, com arranjo pesado que flertou com o indie rock em atmosfera sonora que se repetiria ao longo da noite em músicas como “Retirantes“, ou no único número alheio à obra de Caymmi, a potente versão para “Iansã“, música de Caetano Veloso e Gilberto Gil gravada originalmente em 1972 pela cantora baiana Maria Bethânia.

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Ao longo do show de pouco mais de uma hora de duração, sem economizar energia, a cantora que não se intimida em colocar a emoção acima da técnica apurada ampliou os horizontes da obra do mestre baiano injetando humor nos  sambas “Eu Não Tenho Onde Morar“, “Maracangalha” e “Samba Da Minha Terra” todas com  acentuada levada percussiva. Percussão que também moldou em pegada afro “Oração De Mãe Menininha” e “365 Igrejas“, muitas vezes acenando para axé music baiana. Alice, que deve lançar seu segundo álbum ainda em 2014 com título provisório de “Rainha dos Raios“, ainda teria grande momento na interpretação de “Modinha Para Gabriela“, tema apresentado com tensa introdução que depois desembocaria no samba de forma quase anárquica, e já no bis, ao entoar emocionada leitura da pouco conhecida “Canção da Noiva“, canção gravada por sua avó Stela Caymmi no álbum “Caymmi Visita Tom” (1964), reunião musical afetiva da família Caymmi com o maestro soberano Tom Jobim.

Ao voltar mais uma vez ao palco para encerrar o show com “Canção da Partida”, Alice Caymmi, já tinha conseguido dois feitos: ganhar incondicionalmente a plateia do Sesc e fazer com “Dorivália“, ótimo e surpreendente show, seu nome surgir na linha de frente das grandes promessas da música brasileira neste ano de 2014.

Algumas fotos do show. Aqui.

O roteiro armado por Alice Caymmi na estreia paulistana de Dorivália:

1. Canção Da Partida (Dorival Caymmi)
2. Samba Da Minha terra (Dorival Caymmi)
3. Eu Não Tenho Onde Morar (Dorival Caymmi)
4. A Jangada Voltou Só (Dorival Caymmi)
5. Fiz Uma Viagem (Dorival Caymmi) com citação de Day-0 (Banana Boat Song)
6. 365 igrejas (Dorival Caymmi)
7. O Que É Que A Baiana Tem? (Dorival Caymmi)
8. Modinha para Gabriela (Dorival Caymmi)
9. Maracangalha (Dorival Caymmi)
10. Retirantes (Dorival Caymmi)
11. Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi)
12. A Preta Do Acarajé (Dorival Caymmi)) / Adalgisa (Dorival Caymmi)
13. Iansã (Caetano Veloso e Gilberto Gilberto Gil)
BIS
14. Canção Da Noiva (Dorival Caymmi)
15. Canção Da partida (Dorival Caymmi)

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