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Em “O Que Vim Fazer Aqui”, Alzira E evoca Itamar Assumpção sem nostalgia

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Alzira E – O Que Vim Fazer Aqui
Lançamento: Traquitana Discos, janeiro/2013
Review: star-512star-512star-512 1/2

Com caminhos cruzados com os de Itamar Assumpção (1949 – 2003) desde que chegou à São Paulo em meados da década de 1980, a cantora e compositora Alzira E volta a abordar sua parceria com o músico em “O Que Vim Fazer Aqui“, o nono álbum da carreira, recém lançado pelo selo Tranquina. Iniciada em 1988, tal parceria já rendeu um álbum produzido por Itamar, o AMME (1992) e outro também recheado de canções compostas pelos dois artistas, o Peça-me (1996). Passados 10 anos da morte de Itamar, Alzira revirou seu baú para mostrar nova safra de canções inéditas e algumas regravações de um universo coautoral que ultrapassa 30 músicas. Com tamanha identificação artística com Itamar, O Que Vim Fazer Aqui, inspirado pela saudade, poderia facilmente cair na nostalgia reverente, engessando a criatividade artística de qualquer um. Mas Alzira se sai bem, dribla com talento e disposição tal armadilha e faz um disco que soa atual mesmo tendo como ponto de partida uma obra escrita há mais de 20 anos.

Escudada por um grupo interessante de músicos, a cantora acerta nas regravações de “Já Sei” (Alzira / Alice Ruiz / Itamar) e “Sei dos Caminhos” (Itamar / Alice Ruiz), ambas do disco AMME, que surgem arejadas sem, contudo, se desligarem de suas versões originais. Abrindo mão de trilhas percussivas, Alzira joga nas cordas e nos arranjos vocais o corpo rítmico de O Que Vim Fazer Aqui. E aí se destacam o baixo de Marcelo Dworecki em “O que é que eu fiz de mal” (Alzira / Itamar) e os violões de Lucinha Turnbull em comunhão com a viola de arco de Paula Pi em “Norte“, uma das inéditas mais reluzentes do álbum, com arquitetura sonora que remete diretamente ao início da carreira de Alzira e suas influências da música rural e interiorana do Mato Grosso do Sul, sua terra natal. Influências que ao longo da carreira foram se dissipando a medida que a cantora se enturmava com os experimentalismos da Vanguarda Paulista, ecos marcantes na nova abordagem de “Tristeza Não”, parceria de Itamar e Alice Ruiz, onde as vozes de Alzira e Peri Pane se entrelaçam em sedutor diálogo que reforça a poesia imposta na letra. Fechando o disco, a faixa que dá título ao trabalho tenta contextualizar com seus versos  “Vou dizer em sol/ Vou dizer em si/ Vou dizer em fá/ O que vim fazer aqui”, algo que durante os 35 minutos do coeso álbum sempre pareceu claro – os caminhos de Itamar Assumpção e Alzira E se cruzaram para resultar em música que jamais soa irrelevante.

O Que Vim Fazer Aqui está disponível para audição via Soundcloud. Aqui.

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