Com o mediano Coração A Batucar, Maria Rita confirma que é ótima cantora mesmo com repertório irregular

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Maria Rita – Coração A Batucar
Lançamento: Universal Music, março/2014
Quanto: R$ 24, em média
Review: star-512star-512 1/2

Foi se dedicando ao samba a partir do terceiro disco de estúdio que Maria Rita ampliou seu público antes restrito à parcela antenada dos fãs reverentes à MPB de estirpe. Em 2007, com Samba Meu, Maria Rita deu passos importantes para se consolidar entre as grandes cantoras populares e passou a viver, durante dois e ou três anos, dos louros deste bem sucedido trabalho. Agora, depois de um disco confuso, Elo (2011), cujo alcance foi bastante restrito, e da visita ao repertório de Elis Regina em Redescobrir (2013), ação que resultou em grande sucesso nos palcos mas sem, contudo, roçar o êxito mercadológico de Samba Meu, a cantora volta a olhar para o gênero que lhe conferiu popularidade com o lançamento de Coração A Batucar (Universal Music, 2014). Mas ao contrário daquela primeira incursão pelo samba, quando a cantora parecia realmente à vontade num repertório de forte pegada percussiva, em Coração A Batucar tudo soa bem menos instintivo e espontâneo. Mesmo mantendo a fidelidade aos compositores que ajudaram a botar seu samba na rua, Maria Rita agora aparenta pretensão desmedida em busca de uma elegância que conduz o novo trabalho à paragens sonoras levemente antiquadas, sem qualquer indício de ousadia. Tudo tão arrumadinho que deixa a impressão de se tratar de um samba de butique, feito por encomenda ou para perseguir um prestígio que hoje não alcança os mesmos patamares de outrora.

À canções de boa cepa como “Rumo ao infinito” (Arlindo Cruz / Marcelinho Moreira / Fred Camacho), tema escolhido para puxar a divulgação do disco, “No Meio do Salão” (Magnu Souza / Maurílio de Oliveira / Everson Pessoa), “Vai Meu Samba“, da dupla Noca da Portela e Sérgio Fonseca e “No Mistério do Samba” (Joyce Moreno), somam-se músicas bem menos inspiradas que quando se salvam são mais pelas interpretações classudas de Maria Rita do que por suas qualidades artísticas. É o caso das inéditas “Bola Pra Frente” (Xande de Pilares / Gilson Bernini) e “Nunca Se Diz Nunca” (Xande de Pilares / Charlles André / Leandro Fab), tão fracas que nem todo esforço de Jota Moraes, pianista responsável pelos arranjos do álbum, consegue disfarçar, resultando numa incômoda sensação de que o repertório escolhido não está a altura da boa cantora. Um tanto indefinido, mediano no seu conjunto, Coração A Batucar ecoa tímido, com cara de trilha sonora de novela, sem arrebatar ou aludir aos melhores momentos da carreira de Maria Rita.

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