Pacote The Voice: O desperdício de talentos. Sam Alves, Dom Paulinho Lima e Lucy Alves

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Lucy Alves – Lucy Alves
Review: star-512star-512

Pouco mais de três meses depois da final da segunda edição do programa de talentos The Voice Brasil, a gravadora Universal Music joga no mercado os álbuns das três vozes que mais se destacaram no programa. O vencedor, Sam Alves, a segunda colocada Lucy Alves e Dom Paulinho Lima, artista eliminado antes das apresentações finais. Em comum, o fato dos discos levarem como títulos apenas os nomes dos artistas e a sintomática impressão de que o resultado final é um verdadeiro desperdício de talentos.

Lucy Alves é cantora de origem nordestina, sanfoneira desde a infância, e isso se reflete na sua música. Nesta estreia solo Lucy apostou em temas de compositores nordestinos, quase todos grandes sucessos que apareceram nas suas apresentações ao longo do programa. Totalmente sem identidade, versões de “De Volta Pro Aconchego”, “Qui Nem Jiló”, “Disparada” “Segue O Seco” e “Festa Do Interior”, vão se sucedendo sem brilho, numa tentativa rasteira dos produtores de transformar a cantora num genérico de Elba Ramalho. Estratégia equivocada que as faixas mais interessantes do trabalho teimam em negar. Há uma boa versão de “Olhos Nos Olhos” (Chico Buarque), tema transformado em xote que ganha leveza na interpretação da cantora que opta por diluir o acento dramático natural da densa letra de Chico. A inédita de Carlinhos Brown e Marisa Monte, a toada “Se Você Vai, Eu Vou” é outro bom momento do disco, que ainda – no aparente único traço de ousadia do trabalho – alinha a autoral “Amor A Perder De Vista” (Lucy Alves / José Hilton Alves), bom xote de atmosfera romântica que deixa a sensação de que Lucy pode mais do que este linear e tímido cd mostra.

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Sam Alves – Sam Alves
Review: star-512

A grande aposta da gravadora é o vencedor do programa, Sam Alves. Com produção caprichada de Torquato Mariano, o mesmo produtor musical do programa, o álbum não passa de amontoado de covers sem inspiração, onde o cantor não consegue sair das amarras estéticas de um mercado que clama por resultado comercial imediato e popularesco. Soando como uma Celine Dion dos trópicos, o cearense de criação norte-americana, também repete os números apresentados no programa. Da constrangedora versão de “Hallelujah” (Leornard Cohen), às gritadas “recriações” de “When I Was Your Man” (Bruno Mars), “You Are Loved” (Josh Groban) e “Mirrors” (Justin Timberlake), tudo no cd sinaliza a total falta de personalidade artística do cantor. Pra esquecer. Ou pra lembrar que um cantor é bem mais que somente alcance vocal.

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Dom Paulinho Lima – Dom Paulinho Lima
Review: star-512 1/2

Com trinta anos de carreira, Dom Paulinho Lima foi outro a ganhar a chance de gravar seu primeiro álbum. Grande voz moldada pelo funk e R&B norte-americano, Dom Paulinho também não vai além dos covers corretos. Alguns até mesmo soam como imitações dos cantores responsáveis pelas gravações originais. Mas verdade seja dita, Dom Paulinho se sai bem quando cai no suingue de “Get down on it” do Kool And Gang ou solta o vozeirão em “Me And Mrs Jones“, aludindo a gravação original de Billy Paul. Ainda é pouco pra fazer desde debut um trabalho verdadeiramente interessante, a altura da voz privilegiada de Dom Paulinho Lima.

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