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A capa e as 13 faixas escolhidas por Maria Bethânia para o seu novo álbum, “Meus Quintais”

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A imagem acima, divulgada na tarde desta sexta-feira (30) nas redes sociais da gravadora Biscoito Fino, é a versão final da capa do novo disco da cantora baiana Maria Bethânia. Batizado Meus Quintais, o álbum que tem lançamento previsto para a segunda semana de Junho trará um repertório de inspiração marcadamente interiorana. Entre inéditas dos compositores Roque Ferreira (“Folia de Reis” e “Casa de Caboclo”, parceria com o violonista Paulinho Dáflin), Adriana Calcanhoto (“Iara”), Leando Fregonesi (“Povos do Brasil”) e Chico César (“Xavante” e “Arco da Velha Índia”), Bethânia também dá voz a “Dindi” (Antonio Carlos Jobim / Aloysio de Oliveira), clássico da bossa nova que parece se distanciar um pouco do conceito do disco. Destaques entre as regravações, “Mãe Maria” (Custódio Mesquita / David Nasser) já teve o olhar de Bethânia no álbum Pássaro Proibido, de 1976, e “Moda Da Onça” é canção do folclore popular, lançada em 1960 pela cantora e pesquisadora musical Inezita Barroso.

A tracklist de Meus Quintais:

1. Alguma voz (Paulo Cesar Pinheiro / Dori Caymmi)
2. Xavante (Chico César)
3. Casa de Caboclo (Roque Ferreira / Paulo Dafilin)
4. Lua Bonita (Zé do Norte / Zé Martins)
5. Candeeiro Velho (Roque Ferreira / Paulo César Pinheiro)
6. Imbelezô (Roque Ferreira) / Vento de lá (Roque Ferreira)
7. Mãe Maria (Custódio Mesquita / David Nasser)
8. Iara (Adriana Calcanhotto)  / A perigosa Yara – texto da escritora Clarice Lispector
9. Moda da Onça (Domínio Popular / Adaptação Inezita Barroso)
10. Povos do Brasil (Leandro Fregonesi)
11. Arco da Velha Índia (Chico César)
12. Folia de Reis (Roque Ferreira)
13. Dindi (Antonio Carlos Jobim / Aloysio de Oliveira)

1 comentário em “A capa e as 13 faixas escolhidas por Maria Bethânia para o seu novo álbum, “Meus Quintais”

  1. Soube hoje que Maria Bethânia vai lançar seu próximo CD chamado “Meus quintais”. Só esse título já fez com que eu me apaixonasse outra vez pela diva. É muito ser ela mesma e ao mesmo tempo ser escandalosamente inovadora, docemente agressiva. Num momento em que as palavras de ordens são tecnologias, metas espaciais, virtualidades, e coisas que o valha, vem Bethânia falando de “quintais”. Alguém ainda sabe o que é quintal? Alguém ainda fala de quintais? Além dela e eu com meu sagradíssimo “quintal de Indó”, alguém mais dá importância à memórias de quintais? Gente, eu acho um acinte. Uma obra de arte que eu ainda não ouvi, mas tenho certeza que não pode ser ruim. Ninguém tem uma missão assim, uma sacação dessas para fazer uma bobagem. Fico abobalhado por tamanha ousadia, tamanho amor próprio, tamanha coragem de transformar o mais simples numa novidade desconcertante. É isso: falar de quintais é dizer: continuamos humanos, mortais, e não deixaremos jamais de sermos isso. Ou aceitamos os nossos quintais, – nem que sejam os imaginários, memoráveis -, ou morreremos todos de depressão, de drogas ou por transformarmos a vida numa longa e sombria quarentena. Não somos conquistadores porcaria nenhuma, estamos sufocados de metas e sei lá mais o quê. O que precisamos urgentemente é de sombra e água freca e que cada um entenda essa sombra e essa água fresca como bem entender. Mas, a verdade é essa: estamos terrivelmente cansados, todos, jovens e velhos. Por isso, tantos narcóticos e tanta infelicidade. Rita Lee já cantou: Um dia quero ser índio, viver pintado de verde num eterno domingo, ser um bicho preguiça e espantar turista e tomar banho de sol. É isso. Tenho certeza que é do que precisamos: um eterno domingo e tomar banho de sol. É claro que isto não tem nada a ver com malandragem nem com irresponsabilidade. Muito pelo contrário: tem a ver é com uma postura filosófica de saber que nos perdemos na busca, e que se faz urgentemente necessário que consultemos novamente o mapa, que reestruturemos o percurso se necessário for, mudemos a direção, ou sigamos em frente se os dados primordiais que nos impulsionaram a viagem estiverem de acordo com o caminho tomado. E é para isso que serve a memória dos quintais, para que nunca esqueçamos completamente qual era mesmo o sonho de quando decidimos ser felizes e saimos em busca da felicidade. Nas minhas voltas ao quintal de Indó, muito tenho aprendido sobre mim mesmo. Muito de mim está sendo reconstruido e milacurosamente me tornado um ser mais inteiro e obviamente, mais feliz. E, penso eu, que deve ser de algo assim que esse novo trabalho de Bethânia trate. Da necessidade que todos temos e parece que poucos se dão conta, de que paradas são necessárias para uma restauração dos dados, renovação, reequilíbrio, reencontro, enfim, um confronto com o que verdadeiramente precisavamos ser sem os delírios civilizatórios impostos por uma globalização alucinada.
    Theo Lima

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