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SHOW: Silencia mostra que Ceumar é do mundo mesmo sem sair do seu quintal essencialmente brasileiro

Ceumar no palco do Teatro Paulo Autran (Foto: Alexandre Eça/ME)
Ceumar no palco do Teatro Paulo Autran (Foto: Alexandre Eça / ME)

Show: Ceumar – Silencia
Quando: 10.8.2014
Onde: Teatro Paulo Autran – São Paulo
Review: star-512star-512star-512star-512

Depois de lançar em 2010 um álbum de inspiração jazzística, Ceumar & Trio: Live in Amsterdam, a cantora mineira Ceumar parecia ensaiar uma guinada na carreira, voltando sua atenção às influências musicais europeias, muito pelo fato de estar radicada na Holanda desde 2009. Em Silencia (Circus Produções, 2014), disco recém lançado no mercado brasileiro, o tom cool do jazz ainda se faz presente, mas em menor dose, como ficou constatado nos ótimos shows de lançamento do disco realizados em São Paulo, com casa lotada, no último final de semana. O Brasil volta a ser protagonista na música de Ceumar em traços delicados como os da voz dessa cantora que surgiu para o público a partir do lançamento de Dindinha, primeiro bom disco da sua carreira, lançado em 2000.

Entre xotes, (“Turbilhão“, de Miltinho Edilberto), cocos (“Segura o Coco“, Di Freitas / Ceumar) e sambas dolentes como “Chora Cavaquinho” (Ceumar / Sérgio Pererê), números onde a percussão dá cores quentes ao espetáculo, um repertório de clima interiorano sobressai. A sóbria direção musical do violoncenlista francês Vincent Ségal, ajuda a criar uma atmosfera elegante com o toque do seu instrumento, mas é respeitoso o suficiente para não deixar o violão (brejeiro) de Ceumar em segundo plano.

É assim, sem sobressaltos, que os bons momentos do disco se confirmam em cena – “Quem é Ninguém“, balada com sutil levada pop do compositor gaúcho Vitor Ramil, “Rio Verde“, “Liberdade” e “Justo” remetem diretamente ao trabalho realizado pela cantora antes de direcionar sua carreira para a Europa, fundindo sons e ritmos regionais em doses contidas, mas personalíssimas. Centrada no seu instrumento, sem pose de estrela, Ceumar estabelece sintonia afinada com o septeto que a acompanha em cena, a ponto de um olhar ser suficiente para incluir um compasso a mais na introdução de uma ou outra canção. Sintonia fina que parece atingir a plateia, principalmente no bis, quando três das mais conhecidas canções do seu repertório surgem em sequência – “Achou”, “Avesso” e “Dindinha” foram cantadas em coro tão delicado como, a rigor, foram os contornos de todo o espetáculo.

Silencia, show e disco, provam que a mineira Ceumar é do mundo mesmo sem precisar sair do seu quintal essencialmente brasileiro.

O roteiro armado pela cantora na segunda noite do lançamento de Silencia:

1. Levitando (Ceumar / Dea Trancoso)
2. Liberdade (Ceumar / Gildes Bezerra)
3. Rio Verde (Ceumar / Gildes Bezerra)
4. Penhor (Ceumar / Gildes Bezerra)
5. Turbilhão (Miltinho Edilberto)
6. ?
7. Navegador (Ceumar / Nando Távora)
8. Chora Cavaquinho (Ceumar / Sérgio Pererê)
9. Engasga Gato (Kiko Dinucci)
10. Quem É Ninguém (Vitor Ramil / Roger Scarton)
11. Segura o Coco (Di Freitas / Ceumar)
12. Justo (Ceumar / Kleber Albuquerque / Tata Fernandes)
13. Silencia (Ceumar)
14. Encantos de Sereia (Osvaldo Borges)
BIS
15. Achou (Dante Ozzetti / Luis Tatit)
16. Avesso (Ceumar / Alice Ruiz)
17. Didinha (Zeca Baleiro)

Fotos

1 comentário em “SHOW: Silencia mostra que Ceumar é do mundo mesmo sem sair do seu quintal essencialmente brasileiro

  1. Cantora maravilhosa. É uma felicidade ouvi-la.

    Curtido por 1 pessoa

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