SHOW: Em Bossa Negra, Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda dão sentido contemporâneo aos afro-sambas

Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira no palco do Theatro Net (Foto: Alexandre Eça)
Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira no palco do Theatro Net (Foto: Alexandre Eça)

Show: Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda – Bossa Negra
Quando: 2.9.2014
Onde: Theatro Net – São Paulo
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É necessário reiterar que estar no mesmo palco que Hamilton de Holanda, um dos maiores instrumentistas do mundo, não é tarefa fácil. E Diogo Nogueira não só esteve a altura do companheiro de cena, mas em algumas vezes até mesmo o ofuscou. A estreia paulistana do show Bossa Negra, que lotou o Theatro Net São Paulo na noite da última terça-feira (2), reafirmou as qualidades do disco homônimo lançado pela dupla no final de agosto. Disco que, a rigor, dá sentido contemporâneo os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes e traça caminhos que unem o batuque brasileiro à atmosfera jazzística impressa pelo bandolim de Hamilton e o baixo de André Vasconcellos .

Além de apresentar o repertório do álbum integralmente, Bossa Negra, o show, resgata apropriadamente algumas canções que ilustram as intenções do trabalho. Assim a inclusão de “Vatapá“, do mestre Dorival Caymmi e “Canto de Ossanha“, esta última alinhada no bis do espetáculo em dobradinha com “Berimbau“, dão pistas da descendência miscigenada do repertório. Mas são as canções inéditas que temperam bem o roteiro coeso. A música-título do trabalho abre o show em tons graves e pungentes que cai, na sequência, em cenários cools na batida “Desde Que O Samba É Samba” (Caetano Veloso). A lembrança de “Batendo a Porta” (João Nogueira / Paulo Cesar Pinheiro) para introduzir a inédita “Salamandra“, esquecida parceria de Paulo Cesar Pinheiro e João Nogueira que nunca tinha sido registrada antes, é o primeiro bom momento do show, com a interpretação de Diogo e o virtuoso bandolim de Hamilton se harmonizando de forma perfeita. Diogo ainda brilha ao revelar texturas delicadas em “Doce Flor“, canção que é uma das referência mais clara aos afro-sambas de Baden e Vinícus e ajuda a entender o conceito sonoro do show, com o bandolim assumindo o papel principal na condução da harmonia, em contraste com as delicadas percussões criadas por Tiago da Serrinha. A emocionante versão de “Risque“, antigo sucesso de Ary Barroso, que aparece já na parte final do roteiro, deixa claro a opção por canções de arquitetura tradicional, mas que surgem no espetáculo um tanto tortas ao serem quebradas pelas improvisações à moda do jazz. Na sequência, o diálogo do badolim com a percussão dá tom para “Mineira“, outra da dupla João Nogueira e Paulo César Pinheiro, para depois cair na festa de “Samba de Arerê“, uma das primeiras músicas escolhidas para compor Bossa Negra.

Quando chega ao bis, com “Canto de Ossanha“, “Sem Compromisso” (Nelson Trigueiro / Geraldo Pereira), e a faixa-título, o show já provou o caráter arrebatador da parceria de Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda. Provou também a evolução como interprete de Diogo e reafirmou a grandeza de Hamilton. Bossa Negra, espetáculo, a meu ver, perfeito é grande momento da música brasileira em 2014.

Roteiro

1. Bossa negra (Hamilton de Holanda / Marcos Portinari / Diogo Nogueira)
2. Desde que o samba é samba (Caetano Veloso)
3. Mais um dia (Hamilton de Holanda / Marcos Portinari / Diogo Nogueira / André Vasconcellos / Thiago da Serrinha)
4. Bicho da terra (Diogo Nogueira / Bruno Barreto / Wallace Perez / Hamilton de Holanda)
5. Batendo a porta (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
6. Salamandra (João Nogueira / Paulo César Pinheiro)
7. Brasil de hoje (Hamilton de Holanda / Arlindo Cruz / Marcos Portinari / Diogo Nogueira)
8. Até a volta (Hamilton de Holanda / Marcos Portinari / Diogo Nogueira) / (Hamilton de Holanda / Thiago da Serrinha)
9. Doce flor (Hamilton de Holanda / Marcos Portinari / Diogo Nogueira / André Vasconcellos / Thiago da Serrinha)
10. Vatapá (Dorival Caymmi)
11. O que é o amor (Arlindo Cruz / Maurição / Fred Camacho)
12. Risque (Ary Barroso)
13. Mineira (João Nogueira / Paulo César Pinheiro) / Samba de Arerê (Arlindo Cruz / Xande de Pilares / Mauro Jr)
14. Mundo melhor (Pixinguinha / Vinícius de Moraes)
BIS
15. Canto de Ossanha (Baden Powell / Vinicius de Moraes) com citação de Berimbau (Baden Powell / Vinicius de Moraes)
16. Sem compromisso (Nelson Trigueiro / Geraldo Pereira)
17. Bossa negra (Hamilton de Holanda / Marcos Portinari / Diogo Nogueira)

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