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SHOW: Em cena, Mariana de Moraes seduz com inspirações da clássica MPB

Mariana de Moraes no palco do Teatro Anchieta (Foto Alexandre Eça)
Mariana de Moraes no palco do Teatro Anchieta (Foto Alexandre Eça)

Show: Mariana de Moraes – Desejo
Quando: 11.10.2014
Onde: Teatro Anchieta – São Paulo
Review: star-512star-512star-512

Desejo, álbum que a cantora e atriz carioca Mariana de Moraes está lançando via gravadora Biscoito Fino neste mês de outubro, demorou mais de dois anos para chegar ao mercado. O tempo entre as sessões de estúdio e o lançamento do disco foi tão grande que duas canções que eram inéditas ganharam registro dos seus respectivos autores antes do álbum vir à tona. “Motivos Reais Banais“, música de Adriana Calcanhoto sobre versos do poeta baiano Waly Salomão gravada por Calcanhoto no seu mais recente álbum, Olhos de Onda, e “Morro, Amor“, canção mediana de Caetano Veloso e Arnaldo Antunes, alinhada no repertório de Disco (2013), do Arnaldo. Mesmo assim, o tardio show de lançamento realizado pela cantora no palco do Teatro Anchieta, em São Paulo, agradou a plateia antenada que ocupou 70% dos lugares do teatro.

Em cena, Mariana de Moraes deixa claro que Desejo não é espetáculo de ousadias. Ao contrário, joga todas as suas fichas nas inspirações da mais clássica MPB. A cantora que é neta de Vinicius de Moraes lembra o avô com as bossa-novistas “Amor em Lágrimas“, “Coisa Mais Bonita” e  “Eu não existo sem você“, esta última responsável por um dos melhores momentos do show, quando a cantora, emocionada, dedica a canção ao sanfoneiro Dominguinhos. Os arranjos executados pela competente banda formada por Marcelo Costa (bateria e percussão), Marcelo Miranda (piano, teclados e violão), Guto (baixo) e Bebê Kramer (acordeão) ainda que corretos, só reforçam a sensação de busca pela tradição da música popular brasileira, às vezes soando excessivamente formais. Mas é na figura genuinamente sedutora de Mariana que o show se escora. A cantora não economiza no gestual teatral, nas jogadas de cabelo e na voz algo sussurrada. Seguindo à risca o repertório do álbum, o roteiro se mostra inteligente ao abrir o show com “Cacilda“, a grande canção de José Miguel Wisnik que versa sobre o ofício de atriz, que depois ganha complemento perfeito com a versão de “Motivos Reais Banais” (Calcanhoto / Waly Salomão) e seus versos “finjo, finjo, finjo / erro, minto, minto / mas sei, sinto“. Dentro deste formalismo referencial, outra de Wisnik se destaca. O xote “Assum branco” aparece com introdução emotiva (e óbvia) de “Assum Preto” que vai, mais adiante, desaguar numa pouco inspirada versão de “Cá Já“, tema de Caetano Veloso originalmente gravado por Fafá de Belém no seu álbum Tamba Tajá, de 1976. O samba dá as caras primeiro com “Vai e Vem” (Guilherme Arantes / Nelson Motta) e depois, aludindo ao samba do recôncavo baiano, com prato e faca, em “A Mãe D´água e a menina“, do mestre Dorival Caymmi. De surpreendente mesmo só a aparição de “Taboo“, antigo bolero da cubana Margarita Lecuoma, gravado pela primeira vez em 1935, que ganha boa interpretação, de contornos mais densos e teatrais. Quase sempre falando do desejo do amor, Mariana se sai bem com seu jogo de sedução que busca referências na música brasileira mais clássica e convence como cantora que se divide na função de atriz.

O roteiro armado por Mariana de Moraes no lançamento nacional de Desejo, seu terceiro álbum:

1. Cacilda (José Miguel Wisnik)
2. Motivos reais banais (Adriana Calcanhoto / Waly Salomão)
3. Engomadinho (Pedro Caetano / Claudionor Cruz)
4. Flor do Cerrado (Caetano Veloso)
5. Morro, amor (Caetano Veloso / Arnaldo Antunes)
6. Amor em lágrimas (Vinicius de Moraes / Claudio Santoro)
7. Eu não existo sem você (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
8. Assum Preto (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira) / Assum branco (José Miguel Wisnik / Tom Zé)
9. Cá já (Caetano Veloso)
10. Taboo (Margarita Lecuona)
11. Veleiro azul (Luiz Melodia / Rubia Mattos)
12. Vai e vem (Amor de Carnaval) (Guilherme Arantes / Nelson Motta)
13. A mãe d’água e a menina (Dorival Caymmi)
BIS
14.Coisa mais bonita (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
15. A liberdade é bonita (Jorge Mautner / José Miguel Wisnik)

Fotos

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