SHOW: Elétrica, em seu novo show Daúde confirma o talento para escolher repertório

Daúde no palco do Teatro Sesc Santana (Foto Alexandre Eça)
Daúde no palco do Teatro Sesc Santana (Foto Alexandre Eça)

Show: Daúde – Código Daúde
Quando: 1.11.2014
Onde: Teatro Sesc Santana – São Paulo
Review: star-512star-512star-512 1/2

Uma década inteira fora dos estúdios não esmaeceram uma das principais características da cantora baiana (de vivência carioca) Daúde: o tino para escolher repertório. A artista que frequentou a parada de sucessos nos anos 1990, que ganhou elogios e prêmios com os seus dois bons primeiros álbuns e que depois de 2003, ano de lançamento do disco Neguinha, Eu Te Amo, deu uma sumida, continua cheia de sagacidade para definir o que vai cantar. Código Daúde (Lab 344, 2014), o novo trabalho, é álbum cheio de referências a sua formação musical, com compositores que deram rumo a carreira de uma artista que sempre ousou ao não seguir modismos e definiu caminhos em busca do novo, principalmente no início da sua trajetória artística.

Menos dependente de recursos eletrônicos que o disco, o show se escora nessa habilidade da cantora em dar cara nova àa canções já conhecidas do grande público. Mesmo que nem sempre acerte, caso da confusa versão para “Babalú” ou alocando “O Vento“, tema do repertório da banda Los Hermanos, entre dois fortes números do setlist, fazendo com que a música que é um dos bons momentos do álbum seja engolida pelo histrionismo cênico de “Como Dois Animais” (Alceu Valença) e “Certas Razões” (Antonio Carlos / Jocafi), Daúde atinge uma nota acima da média. Seu olhar para “Barco Negro“, fado tingido por cores épicas que abre o espetáculo, descortina belo diálogo entre a tradição emotiva portuguesa e os sons percussivos da Bahia. A pouco conhecida “Cala Boca, Menino“, joga o mestre Dorival Caymmi para a boca de cena em formato contemporâneo, assim como “Que Bandeira“, obra prima de Marcos Valle, Mariozinho Rocha e Paulo Sérgio Valle, outra boa sacada do repertório, dá mostras do vigor vocal da intérprete que eletriza a plateia. É neste clima elétrico que o antigo samba de Osvaldo Nunes, “Segura Esse Samba, Ogunhê” se irmana perfeitamente com “4 Meninas“, tema de domínio público adaptado pela cantora no seu primeiro disco, que vem com pertinente citação de “Asa Branca” (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira) e fechando o roteiro, com “Eu Não Vou Mais” (Ed Lincoln), todas executadas na pressão pelo entrosado quarteto de baixo, guitarra, sopros e bateria. Se a cantora não é mais a expoente da vanguarda da MPB como há 20 anos, o nível artístico do seu trabalho continua alto, passando longe dos contornos ora conformistas da MPB. Salve, Daúde!

O setlist de Código Daúde

1. Barco Negro (Davi de Jesus Mourão / Matheus Nunes)
2. Babalú (Margarita Lecuona)
3. Naja (Paulinho Camafeu)
4. Sobradinho (Luis Carlos Sá / Guarabyra)
5. Cala Boca Menino (Dorival Caymmi)
6. ?
7. 4 Meninas (Domínio Público, adaptação Daúde) com citação de Asa Branca (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
8. Uma Neguinha (Paulo Padilha)
9. Como Dois Animais (Alceu Valença)
10. O Vento (Rodrigo Amarante / Marcelo Camelo)
11. Certas Razões (Antonio Carlos / Jocafi)
12. Segura Esse Samba (Osvaldo Nunes)
13. Que Bandeira (Marcos Valle / Mariozinho Rocha / Paulo Sérgio Valle)
14. Eu Não Vou Mais (Ed Lincoln)
BIS
15. Inteira Pra Mim (Lucina / Zélia Duncan)
16. Véu Vavá (Celso Fonseca / Carlinhos Brown)

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