LANÇAMENTOS: Rita Benneditto, Natália Matos e Adriano Cintra

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Título: Rita Benneditto – Encanto 
Lançamento: Biscoito Fino, outubro/2014
Review: star-512star-512 1/2

Sexto álbum da cantora maranhense Rita Benneditto, Encanto é coerente com a trajetória artística desta boa cantora que nunca teve problemas em dar voz à temas de inspiração religiosas musicais, evidenciando acima de tudo o sincretismo que pauta os traços de fé do brasileiro. Tanto que o novo disco soa complementar ao maior sucesso da sua carreira, o show-disco-dvd Tecnomacumba, espetáculo que esteve por 12 anos em cartaz, amparado em pungente universo folclórico-religioso-musical. Produzido Felipe Pinaud e Lancaster Lopes, Encanto passa longe de ousadias estéticas, fato denunciado pelo repertório que requenta canções de Roberto Carlos (““, em levada rock), Djavan (a pouco ouvida “Água“), João Nogueira (a ótima “Banho de Manjericão“, sucesso na voz de Clara Nunes) e Gilberto Gil (“Extra“, em versão que se banha nas praias do reggae). Do material genuinamente inédito, o samba de Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Nogueira, “O Que É Dela É Meu“, brilha para além dos contornos percussivos do disco, amparado em leveza que, a rigor, falta no restante do disco.


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Título: Adriano Cintra – Animal 
Lançamento: Deck Disc, outubro/2014
Review: star-512star-512 

Requisitadíssimo como produtor, Adriano Cintra esteve à frente de bons discos nos últimos meses – contribuiu com Marcelo Jeneci, Tiê, Thiago Pethit e Jota Quest. Animal, é o seu primeiro disco solo. Pop até o último timbre sintetizado, o disco peca pela multiplicidade de referências nem sempre conectáveis (pra não dizer inteligíveis). Escrito originalmente em inglês e versado para o português por nomes como Guilherme Arantes, Gaby Amarantos, Alice Caymmi e Rogério Flausino, Animal é aquele tipo de disco que você ouve e, de cara, nota a excelência da produção. Quando agrada, é mais pela forma do que pelo conteúdo. Em alguns momentos lembra a sua ex-banda, a limitadíssima Cansei de Ser Sexy, evocando graça num oceano de batidas aceleradas, atmosfera dançante, refrões grudentos (ainda que pouco inspirados), mas de pouca regularidade.


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Título: Natália Matos – Natália Matos 
Lançamento: Independente, setembro/2014
Review: star-512star-512star-512 

Financiado pelo projeto Natura Musical, a estreia da cantora paraense Natália Matos é grata surpresa. Entre tantos nomes do Pará surgidos a partir de 2009, Natália sinaliza que pode ter algo a mais para mostrar que não influências assimiladas pela explosão popular de Gaby Amarantos. Depois de uma longa temporada na capital paulista, a cantora voltou ao seu estado natal para formatar um coeso disco em que os sons do norte do país vêm embalados por uma estética urbana, de traços sonoros contemporâneos. Já na abertura do disco, “Cio” é composição de Douglas Germano e Kiko Dinucci, autores da linha de frente da atual cena paulistana, que aparece moldado com toques de cúmbia, ritmo que o Pará emprestou da Colômbia e tomou como seu. O dueto com Zeca Baleiro em “Coração Sangrando” é outro acerto do disco. A sedutora levada brega do tema de Dona Onete é quase irresistível. De volta às inspirações de São Paulo, “Um Amor de Morrer” (Romulo Fróes / Clima), moldada pelo cavaco de Rodrigo Campos, pode até ser lembrada como uma das mais bonitas canções de 2014. Em sua estreia fonográfica, Natália Matos consegue ir além das amarras do sucesso da música paraense Brasil afora.

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