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Show: Entre sucessos e poesia, os sambas de enredo de outros tempos do Martinho da Vila

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Martinho da Vila no palco do Teatro Paulo Autran (Foto Alexandre Eça)

Show: Martinho da Vila – Enredo
Quando: 29.1.2015
Onde: Teatro Paulo Autran – São Paulo
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Quando Martinho da Vila subiu ao palco do Teatro Paulo Autran, em São Paulo, na noite da última quinta-feira, sozinho com um pandeiro, trouxe à cena carnavais de outros tempos. Contraponto musical perfeito para o ritmo acelerado dos sambas de enredo modernos, fato evidenciado pelo playback de “A Vila Canta o Brasil“, vitorioso samba de 2013 da escola de samba Unidos de Vila Isabel que serve de introdução ao espetáculo, a delicadeza melódica de “Pra tudo se acabar na quarta-feira“, o primeiro número do setlist, deixa explícito como a loucura da avenida, com suas notas, convenções técnicas e preocupações com tempo de desfile, malograram um gênero que já foi muito mais representativo dentro da música brasileira.

Martinho não tem pressa e, do alto dos seus 57 carnavais como compositor, vai desfilando poesia, preocupações sociais, ritmos cadenciados e um “jeito martinho da vila” que não encontra similaridade entre seus pares. Devagar, devagarinho, o cantor repassa sua história de avenida em revista, sem ficar preso ao conceito do seu mais recente álbum, Enredo (2014), que reúne o melhor da sua produção ligada às escolas de samba Aprendizes da Boca do Mato e Unidos de Vila Isabel. Por isso não causa estranheza a inclusão de um samba autenticamente paulistano como “Saudosa Maloca” (Adoniran Barbosa), em versão adornada apenas pelo toque da flauta de Vitor Neto e pelo pandeiro doloso do Martinho. É um mimo para a lotada plateia e um chamado para o coro. Coro que apareceu com força no bloco de sucessos da carreira do cantor como “Devagar, Devagarinho“, “Ex-amor“, “Canta, Canta Minha Gente“, “Disritmia“, “O Pequeno Burguês“, e já no bis, com “Mulheres” e “Madalena do Jucú“.

Quando se volta aos sambas de avenida, alguns desfilados, outros compostos para aquecer os terreiros e quadras das escolas, Martinho também abre o leque para fora da sua produção autoral ao dar voz a uma tocante interpretação de “Aquarela Brasileira“, o mítico samba de Silas de Oliveira, e faz esperada homenagem – entre tantas – à Unidos de Vila Isabel apressando o passo em “Renascer das Cinzas” (Zé Catimba) até chegar à apoteose com “Kizomba, Festa da Raça“, enredo de 1988 da Vila Isabel que recolocou nos trilhos a cadência dos sambas de enredo, se tornando um clássico instantâneo.

Entre sucessos, poesia de fácil assimilação a ainda sim, de altíssima qualidade, o baticum do samba do Martinho da Vila Isabel é mais que relevante, é de um tempo antigo mas não ultrapassado ou datado – evoca outros carnavais para assentar, atual, a medida exata do grande samba.

Setlist

Intro – A vila canta o Brasil, celeiro do mundo (Arlindo Cruz / Martinho da Vila / André Diniz / Tonico da Vila / Leonel)
1. Pra tudo se acabar na quarta-feira
 (Martinho da Vila)
2. Saudosa maloca (Adoniran Barbosa)
3. Aquarela brasileira (Silas de Oliveira)
4. Filosofia de vida (Martinho da Vila)
5. Devagar, devagarinho (Eraldo Divagar)
6. Linha do ão (Martinho da Vila)
7. O pequeno burguês (Martinho da Vila)
8. Canta, canta minha gente (Martinho da Vila)
9. Ex-amor (Martinho da Vila)
10. Disritmia (Martinho da Vila)
11. Instrumental – solo da banda
11. Sonho de um sonho (Martinho da Vila / Graúna / Rodolpho)
13. Tribo dos Carajás (Martinho da Vila)
14. Ai que saudade que eu tenho (Martinho da Vila)
15. No embalo da vida (Martinho da Vila)
16. Noel, a presença do poeta (Martinho da Vila)
17. Renascer das cinzas (Zé Catimba)
18. Kizomba, festa da raça (Rodolpho / Jonas / Luis Carlos da Vila)
Bis
19. Mulheres (Martinho da Vila)
20. Madalena do Jucú (Domínio público adapt. Martinho da Vila)

Fotos

Fotos de Alexandre Eça

1 comentário em “Show: Entre sucessos e poesia, os sambas de enredo de outros tempos do Martinho da Vila

  1. Fazer show de calça comprida e chinelo,só ele mesmo.

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