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A última voz do Brasil, Cida Moreira canta um país que jamais se insinua simplório

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Cida Moreira – Soledade
Quando: 2.4.2016
Onde: Teatro Sesc Santana – São Paulo SP
Review: star-512star-512star-512star-512star-512

Soledade, o elogiado álbum lançado em 2015 por Cida Moreira, ganhou os palcos de São Paulo em apresentação que arrebatou a plateia presente no Teatro Sesc Santana, na noite do último sábado (2). Ao repertório do disco, Cida incluiu surpresas, como a intensa versão de Beija-me, amor (Arnaldo Batista / Élcio Decário), canção do repertório de Rita Lee, escrita em 1971 e à época alvo dos censores do regime militar, que contou com a participação do cantor Thiago Pethit. Foi o primeiro  momento de um indisfarçável acento político que daria as caras ainda em outros momentos do show. Ao entoar os versos contundentes de Beija-me, amor, Pethit subverteu a letra original, alterando o verso “não participaremos dessas mortes vis” para “não participaremos deste golpe, viu?”, eletrizando o público. O tom político – notado também nas abordagens de A última voz do Brasil, Cajuína (Caetano Veloso), Construção (Chico Buarque) e O Pulso, extraída do repertório do grupo paulistano Titãs – foi ingrediente a mais em show que se faz grande ao apresentar a música de um Brasil que jamais se insinua simplório.

Cida Moreira e Thiago Pethit
Cida Moreira e Thiago Pethit

Sozinha ao piano ou iluminada pelos encorpados arranjos da banda composta por alguns dos músicos que gravaram o disco, a cantora voa alto ao trazer à cena memórias afetivas em versões inspiradas de Bom Dia (Nana Caymmi / Gilberto Gil), da moda de viola Moreninha (domínio público) e Feito Picolé no Sol (Nico Nicolaiewski) ou ao expor novos sentidos de letras conhecidas, nas seguras interpretações de A Terceira Margem do Rio (Caetano Veloso / Milton Nascimento) e Outra Cena (Taiguara). Ao voltar para o bis, antes de encerrar o espetáculo ao som inflamado do rock A última voz do Brasil, Cida ainda improvisou, sozinha ao piano, realçando os poéticos versos da pouco ouvida Minha Nossa Senhora, tema composto em 1994 pela cantora e compositora carioca Fátima Guedes. Fecho repleto de beleza de show que confirma Cida Moreira como digna dama da música brasileira.

Setlist

1. Texto / Viola quebrada (Mário de Andrade)
2. Bom dia (Nana Caymmi / Gilberto Gil)
3. Moreninha (Domínio público)
4. Um gosto de sol (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
5. Forasteiro (Thiago Pethit / Hélio Flanders) – com Thiago Pethit
6. Beija-me, amor (Arnaldo Baptista) – com Thiago Pethit
7. Poema (Alice Ruiz)
8. Poema da Rosa (Jards Macalé / Augusto Boal, sob poema de Bertolt Brecht)
9. A terceira margem do rio (Milton Nascimento / Caetano Veloso, 1990)
10. Texto / Oitava cor (Luis Filipe Gama / Tiago Torres da Silva)
11. Texto / Cajuína (Caetano Veloso)
12. Texto / Preciso cantar (Arthur Nogueira / Dand M)
13. Feito no picolé no sol (Nico Nicolaiewski)
14. Texto / Outra cena (Taiguara)
15. Construção (Chico Buarque)
16. A última voz do Brasil (Tico Terpins / Zé Rodrix / Armando Ferrante / Próspero Albanese)
17. O pulso (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Tony Bellotto)
18. As pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro)
BIS
19. Minha Nossa Senhora (Fátima Guedes)
20. A última voz do Brasil

Fotos

Fotos de Alexandre Eça

1 comentário em “A última voz do Brasil, Cida Moreira canta um país que jamais se insinua simplório

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