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Maria Alcina roubou a cena na estreia de Corações Vagabundos, show que reverenciou a obra de Caetano Veloso

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Cida Moreira, Maria Alcina e Márcia Castro (foto Alexandre Eça)

Show Corações Vagabundos
Com Cida Moreira, Maria Alcina e Márcia Castro
10.12.2016
Teatro Paulo Autran – São Paulo
Review: star-512star-512star-512 1/2

Espetáculo armado em torno do cancioneiro de Caetano Veloso, Corações Vagabundos estreou ontem na capital paulista protagonizado pelas cantoras Cida Moreira, Maria Alcina e Márcia Castro. O show, que apostou nos sucessos dos 50 anos de carreira do compositor baiano, poderia até ter caído na mesmice não fosse a ambientação eletrônica dos arranjos e o toque preciso da guitarra de Rovilson Pascoal – mesmo sem grandes ousadias, a banda eficiente abriu caminho para o brilho das cantoras.

Primeira a se apresentar, logo após o número de abertura em que as cantoras deram vozes a Oração do Tempo, a baiana Marcia Castro mostrou intimidade – e até exagerada reverência – com a porção romântica e sincrética da obra de Caetano, mantendo o tom cool em Queixa e Milagres do Povo. Na sequência, com a sua insuspeita carga dramática, Cida Moreira surgiu personalíssima abordando um lado mais reflexivo de Caetano. Subvertendo andamentos, a dama indigna deu show de interpretação ao sublinhar as intenções políticas em Um Índio, buscar a branda resignação amorosa em Ela e Eu, e seguir com O Amor, Cajuína e Eu Não Peço Desculpas.

Mas foi Maria Alcina que roubou a cena em noite de reverência à obra do compositor baiano. Ao subir ao tradicional palco do Teatro Paulo Autran, já nas primeiras notas de Os Mais Doces Bárbaros, Alcina mostrou que seria a única a sair do script trazendo contornos alegóricos a canções cujas versões originais são quase sempre superiores a tentativas de atualizações modernosas. Tons graves, distorções de guitarras e beats eletrônicos contrastavam com a expansiva performance da cantora que mostrou total entedimento  de temas como Tropicália – ponto alto da noite, que arrancou longos aplausos da plateia em cena aberta -, Língua e a carnavalesca Atrás do Trio Elétrico. Foi a deixa para o bis que juntou o trio em Eclipse Oculto e Chuva Suor e Cerveja em momento menos sedutor e um pouco desencontrado. Com repertório que privilegiou músicas muito conhecidas e executadas de Caetano Veloso, Corações Vagabundos cumpriu bem o papel de abordar em ambiência contemporânea uma obra que já está no inconsciente coletivo do brasileiro, como mostrou a total adesão do público que cantou em coro quase todas as músicas do espetáculo.

 

Fotos

Fotos Alexandre Eça

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