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Ousado, “Fado” mostra Edson Cordeiro como grande intérprete

 

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Edson Cordeiro (Foto Alexandre Eça)

Há uma ousadia indisfaçável em Fado, o novo disco de Edson Cordeiro, gravado em Portugal e agora lançado no Brasil. Completando 25 anos de carreira profissional (contados a partir da chegada ao mercado do seu primeiro disco, em 1992), o cantor paulista mostra no 12º álbum um canto assentado, sem os exageros vocais de outrora. A ousadia do disco reside no fato do Edson abordar o repertório fadista com original sotaque lusitano. Recurso, que em mãos menos hábeis poderia cair facilmente em tom caricatural. Mas, não é assim no disco, tampouco no show que o cantor apresentou na capital paulista em duas noites de casa cheia no Teatro Sesc Santana.

A extraordinária voz de contratenor está lá, ainda viçosa, mas é a interpretação apurada, de alto entendimento dos versos cantados, que sobressai em Fado. Radicado há dez anos na Alemanha, hoje Edson não precisa recorrer a exibicionismos para abordar um repertório de alto teor dramático, que inclui canções do disco recém-lançado e liberdades que alinham-se ao universo por vezes sentido do gênero tipicamente português, como na bela abordagem de Coração Vagabundo, de Caetano Veloso, ou na divertida leitura de Disseram Que Voltei Americanizada, temas que serviram de ponto de união entre Brasil e Portugal dentro do setlist.

Setlist com momentos marcantes, como a condução cheia de melancolia de Meu Amigo Está Longe, na beleza lírica de Barco Negro ou na espontaneidade calcada no humor de A Casa da Mariquinhas. Em Fado, tudo soa absolutamente natural. E Edson Cordeiro chega aos 50 anos com a voz em ótima forma e mostrando-se um grande intérprete.

Setlist

1. Meu amigo está longe (José Carlos Ary dos Santos / Alain Oulman)
2. Foi deus (Alberto Janes)
3. Estrela do mar (Marino Pinto / Paulo Soledade)
4. Rua do capelão (Frederico de Freitas)
5. Barco negro (Caco Velho / Davi Mourão Ferreira / Piratini)
6. Texto Fernando Pessoa / Estranha forma de vida (Alfredo Duarte / Amália Rodrigues)
7. Brasileirinho (Waldir Azevedo / Pereira Costa) – instrumental
8. Meu amor é marinheiro (Alain Oulman / Manoel Alegre)
9. Lisboa à noite (Fernando Santos / Carlos Dias)
10. A casa da mariquinhas (Silva Tavares)
11. Disseram que voltei americanizada (Luiz Peixoto / Vicente Paiva)
12. Coração vagabundo (Caetano Veloso)
13. Lovesong (Robert Smith)
14. Fria claridade (José Marques do Amaral / Pedro Homem de Melo)
Bis
15. Fado Tropical (Chico Buarque / Ruy Guerra)

Fotos

Fotos de Alexandre Eça

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